Premier tailandês renunciará ao cargo

O primeiro ministro tailandês, Thaksin Shinawatra, em uma inesperada reviravolta após vencer as eleições do último final de semana, anunciou nesta terça-feira que renunciará ao cargo. Desde que venceu o pleito, Shinawatra vem sofrendo grande pressão da oposição, que alega abuso de poder e corrupção durante a jornada eleitoral. Muitos pediram sua deposição. Ele fez o anúncio logo após se encontrar com o rei tailandês, Bhumibol Adulyadej, em seu palácio em Hua Hin. Durante seu reinado de seis décadas, o monarca interveio várias vezes para resolver crises políticas. Ainda não é claro seu papel na solução do conflito pacífico entre Shinawatra e seus opositores. "Desculpem-me por não aceitar o posto de premier", disse Shinawatra durante um breve pronunciamento televisivo. "Não temos tempo para discutir (...) quero ver o povo tailandês unido e quero que esqueçam o que ocorreu." Shinawatra disse também que continuará no cargo até que um sucessor seja escolhido. Ele acrescentou que seu substituto deverá ser escolhido pelo partido governista assim que o novo Parlamento iniciar suas atividades, dentro de 30 dias.Sondhi Limthongkul, um ex-amigo de Shinawatra que liderou a campanha para removê-lo do poder, afirmou que os protestos irão parar por enquanto "em honra ao rei". No entanto, os manifestantes não estão totalmente satisfeitos porque o próximo primeiro-ministro deverá ser alguém próximo a Shinawatra. O abrupto anúncio de Shinawatra veio somente dois dias após seu partido vencer com 57% dos votos e virtualmente obter todas as cadeiras do parlamento, visto que a oposição boicotou a eleição. Na segunda-feira, ele disse em cadeia nacional de televisão que pretendia permanecer no poder. PopularidadeOs resultados das eleições mostram que enquanto ele aproveita o apoio dado pelo meio rural - que foi beneficiado por seus generosos programas de bem-estar e de ajuda econômica -, sua popularidade caiu em todas as outras regiões. A oposição política contra o premier ganhou suporte massivo em janeiro, quando sua família anunciou ter vendido sua parte da companhia de telecomunicações Shin Corp para a estatal de Cingapura Temasek Holdings por uma quantia de US$ 1,9 bilhão. Críticos alegam que a venda envolveu transações internas e reclamam que um componente vital para a nação está agora nas mãos de um governo estrangeiro. Em seu pronunciamento nesta terça-feira, o premier, de 56 anos, insistiu que fez o melhor para seu país. "Mesmo por todas essas coisas que venho sendo acusado, este primeiro-ministro nunca pensou em fazer nada de errado ou mal ao país", ele afirmou. "Se houver uma oportunidade no futuro em que eu possa explicar minhas ações, o povo terá um claro entendimento."Líderes de manifestações disseram que deverá ocorrer um encontro entre grupos oposicionistas. Eles querem determinar que papel Shinawatra representará no próximo parlamento e se seu partido conduzirá reformas políticas.

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