Premier timorense não deixa cargo e Gusmão ameaça renunciar

O presidente do Timor Leste, José Alexandre Xanana Gusmão, ameaçou nesta quinta-feira renunciar momentos depois de o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, ter rejeitado as exigências para que abandone o cargo de chefe de governo, aprofundando ainda mais uma grave crise política na mais jovem nação da Ásia. O país passa por semanas de violentos confrontos."Amanhã eu escreverei uma carta ao Parlamento para informar minha renúncia ao cargo de presidente, pois sinto-me extremamente desconfortável com todas as coisas ruins que o Estado fez com o povo", declarou Xanana Gusmão durante um pronunciamento à nação feito nesta quinta-feira.Muitos timorenses culpam Alkatiri pela atual crise. Em março, ele exonerou 600 soldados em greve. A demissão provocou uma rebelião dos soldados renegados, conduzindo a episódios de violência que provocaram a morte de pelo menos 30 pessoas e levou 150 mil a fugirem de Díli, a capital timorense. Além disso, Alkatiri é acusado de armar esquadrões da morte para eliminar oponentes políticos. Ele nega a acusação.Na quarta-feira, Gusmão escreveu a Alkatiri uma carta na qual dizia que o primeiro-ministro não contava mais com a confiança da população e deveria renunciar. Caso contrário, seria demitido.Hoje, Alkatiri participou de uma reunião emergencial com membros da Frente Revolucionária para um Timor Leste Independente (Fretilin), partido que controla 55 das 88 cadeiras do Parlamento. Os deputados declararam apoio a Alkatiri. Em entrevista à agência de notícias Lusa, ele disse que não renunciaria ao cargo de primeiro-ministro.O presidente timorense acusa a Fretilin de criar instabilidade e ordenou que o partido itre Alkatiri de sua liderança. "Os líderes do Fretilin querem matar a democracia no Timor Leste", afirmou.ProtestoUm protesto do lado de fora do Palácio do Governo, que desde terça-feira atraiu mais que algumas centenas de oponentes de Alkatiri, foi engrossado por outras centenas de pessoas que chegaram em dez comboios na noite de quinta-feira (horário local). À meia-noite 6.700 homens estavam acampados na frente da sede do governo."Temo que a situação possa se tornar mais violenta, com mais tiroteios e incêndios em casas", disse o organizador do protesto Augusto Junior Trindade. "Com a renúncia de Gusmão, a situação fica muito difícil". Alguns soldados australianos, armados com rifles automáticos, mantém a multidão em ordem.

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