Prêmios só chegam a dias da votação

Chavistas usam sorteios para pagar campanha

O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2012 | 03h02

Foram 45 dias de espera. O Comando Carabobo, equipe que coordena a campanha pela reeleição do presidente venezuelano, Hugo Chávez, escolheu a última semana da campanha eleitoral para distribuir, na segunda-feira, os prêmios da "loteria eleitoral" criada pelos chavistas para financiar suas despesas. O sorteio, feito em 17 de agosto, contemplou com um carro zero-quilômetro, uma moto, um kit com geladeira, fogão, máquina de lavar e um computador 4 dos 2,5 milhões de bilhetes vendidos em todo o país - ao preço de 30 bolívares (cerca de R$ 15 no câmbio oficial) cada, eles garantiram uma arrecadação de R$ 37 milhões.

"Estamos na fase final de arrecadação de recursos que serão destinados à campanha eleitoral", afirmou a integrante da comissão de finanças e logística do comando chavista, Yelitze Santaella. A equipe também vendeu 3 milhões de cartelas do tipo "raspadinha" a 10 bolívares (R$ 7,50) cada uma, além de 300 mil kits com símbolos e slogans da campanha a 90 bolívares (R$ 45).

Apesar de ressaltar o esforço de arrecadação para marcar a independência da campanha em relação às atividades do governo, Chávez tem enfrentado acusações da oposição de estar usando a máquina pública. Há duas semanas, o presidente convocou uma rede nacional de TV para transmitir uma cerimônia pública, impedindo a transmissão, pelas emissoras privadas, de um gigantesco comício de Henrique Capriles. Praticamente todos os atos públicos de governo do presidente venezuelano acabam se convertendo em propaganda eleitoral.

Chávez responde às acusações desafiando a campanha opositora a apresentar seus financiadores, aos quais qualifica de "banqueiros foragidos, narcotraficantes e mafiosos internacionais". Terminadas as eleições, as duas campanhas terão 60 dias para apresentar suas contas ao Conselho Nacional Eleitoral para aprovação. / R.L.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.