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Benoit Tessier/REUTERS
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Preocupação com a desigualdade aumenta durante a pandemia

Estudo global mostra que os jovens estão particularmente preocupados com a desigualdade de renda à medida que a covid-19 abala os mercados de trabalho

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2021 | 09h00

As pessoas ficaram mais preocupadas com a lacuna entre ricos e pobres durante a pandemia do coronavírus, especialmente os jovens, disseram os autores de um novo estudo global na terça-feira, 23, pedindo aos governos que tomem medidas para corrigir o equilíbrio.

Mais de 8.700 pessoas em 24 nações foram entrevistadas no início e no fim de 2020 pela agência de pesquisa de mercado Glocalities, com os resultados mostrando um aumento na proporção de entrevistados que pensavam que as diferenças de renda deveriam ser reduzidas.

Enquanto o coronavírus atingia a economia global no ano passado, a pesquisa também encontrou um aumento de 10% de pessoas que afirmavam que o trabalho decente e o crescimento econômico eram os meios mais importantes para melhorar a qualidade de vida.

"Isso deu um tapa na cara das pessoas e as fez perceber que as coisas não estão indo bem", disse Ronald Inglehart, um dos principais autores do estudo, à Fundação Thomson Reuters, referindo-se à pandemia.

"Precisamos da intervenção do governo em uma escala maior. Não queremos uma economia controlada pelo Estado, mas alguns dos recursos precisam ser realocados para equilibrar essa tendência poderosa."

Políticas que criarão "empregos bem remunerados" nas áreas de cuidados infantis, proteção ambiental e infraestrutura ajudariam a lidar com a crescente frustração com a desigualdade de renda, acrescentou Inglehart.

Os jovens estão particularmente preocupados com as disparidades de renda, concluiu o estudo.

Um terço dos entrevistados com idades entre 18 e 34 disse estar mais preocupado com a desigualdade de renda do que com o desemprego ou o crescimento econômico no final de 2020, contra 29% no início do ano - antes do coronavírus se espalhar pelo mundo.

"Sentimentos de estar chateado, com medo, desanimado, como 'Não tenho mais perspectivas' estão aumentando", disse Martijn Lampert, que também é co-autor do estudo. "Portanto, isso requer intervenções governamentais muito sábias e justas para canalizar essa agitação de uma forma positiva."

Inglehart disse que vê evidências de tais sentimentos entre os alunos que ele leciona na Universidade de Michigan. "O mercado de trabalho é sombrio... Meus melhores alunos, as estrelas, estão encontrando empregos em um nível inferior ao que imaginavam. E os que não são estrelas não estão ganhando nada", disse ele.

A economia global encolheu 3,5% no ano passado, de acordo com as últimas estimativas do Fundo Monetário Internacional, e vários estudos mostraram como a crise global de saúde exacerbou as desigualdades econômicas.

Como resultado da pandemia, o número de pessoas que vivem na pobreza dobrou para mais de 500 milhões, de acordo com um relatório divulgado no mês passado pela instituição de caridade Oxfam.

Enquanto isso, a riqueza coletiva dos bilionários do mundo cresceu US$ 3,9 trilhões entre março e dezembro de 2020 para chegar a US$ 11,95 trilhões, disse o relatório./REUTERS

 

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