(Sebastian Rodriguez/Chile Presidential Press Office via AP)
(Sebastian Rodriguez/Chile Presidential Press Office via AP)

Preparo evitou dano maior, diz Bachelet

Número de mortos no terremoto de quarta-feira sobe para 12; houve mais de 30 réplicas

O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2015 | 18h49

(Atualizado às 23h30) SANTIAGO - A presidente chilena, Michelle Bachelet, declarou nesta quinta-feira, 17, que o fato de o país estar preparado impediu um número maior de mortos no terremoto de quarta-feira à noite. Ela viajou para o norte do Chile para visitar as áreas mais afetadas pelo terremoto de 8,3 graus na escala Richter que durou 3 minutos.

O número de mortos subiu para 12, informou o ministro do Interior chileno, Jorge Burgos, advertindo que ele poderá subir mais à medida que as equipes de socorro chegarem às áreas isoladas pelos desabamentos. A maioria das pessoas morreu nas áreas próximas ao epicentro do tremor – vítimas de desabamentos ou mesmo ataques cardíacos. Não há registro de desaparecidos. Houve mais de 30 réplicas – algumas de até 7 graus – e mais de um milhão de pessoas precisaram deixar suas casas e passaram a noite nas ruas. O tremor foi sentido no Brasil e na Argentina. 

Na manhã de hoje, as autoridades chilenas retiraram o alerta de tsunami que havia sido emitido na noite de quarta-feira. “O alerta de tsunami está suspenso para todo território nacional”, informou o Escritório Nacional de Emergências pelo Twitter.

A presidente chilena disse que a boa qualidade das construções no Chile evitou uma tragédia maior, assim como a rapidez com que a população abandonou a região costeira. Ela recordou que o terremoto de 7,9 graus que abalou o Nepal em maio deixou 7.500 mortos. Ela decretou zona de catástrofe para a Província de Choapa (norte) onde foi registrado o epicentro do terremoto. Isso significa que a região ficará sob comando militar e o Estado enviará maiores recursos para atender a emergência.

Em 2010, um terremoto de 8,8 graus, seguido por tsunami, matou mais de 500 pessoas no Chile e arrasou parte da cidade de Concepción, região central do país. Mais de 220 mil casas foram destruídas. Esse tremor teve grandes mudanças, tanto políticas quanto práticas, levando a nação andina a melhorar seu sistema de alerta tanto para terremotos quanto para tsunamis. 

O Chile é um dos países mais propensos a sofrer terremotos, pois em frente de sua costa central está localizada a placa tectônica de Nazca. Sua parte oriental está sob a placa da América do Sul, que deu origem à Cordilheira dos Andres. Bachelet também declarou que as festividades pelo Dia Nacional serão limitadas a uma cerimônia religiosa e um desfile militar no sábado.

O prefeito da cidade de Illapel, uma das mais afetadas pelo tremor, Denis Cortés, disse que ocorreram vários desabamentos que fecharam ruas, fios elétricos foram cortados, parte do cemitério foi destruído e pelo menos 10 mil dos 35 mil habitantes foram afetados.

Ondas de mais de 4 metros avançaram sobre várias cidades costeiras. As águas do porto de Tongoy, em Illapel, entraram 500 metros em terra, assim como no balneário de Concón, e o governo de Coquimbo declarou as cidades afetadas “zonas de catástrofe” para facilitar o envio de fundos. 

O ministro da Fazenda, Rodrigo Valdés, disse que ainda era prematuro avaliar os danos econômicos e prometeu o breve envio de recursos para as áreas afetadas. “Temos muitos gastos, teremos de avaliar as prioridades. Creio que, neste momento, a palavra priorizar é mais fácil de entender. Há muitos projetos em curso e será necessário atrasar alguns para dar lugar à necessidade de ajuda”, disse Valdés.

“Pensei que era o fim do mundo e íamos morrer”, disse Manuel Moya, de 38 anos, que permanecia sentado com sua mulher em frente de sua casa destruída em Illapel. / REUTERS, AP, EFE e AFP

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