Presença de porta-aviões dos EUA próximo ao Irã eleva tensão

Tom das declarações sobre a ameaça iraniana de bloquear o Estreito de Ormuz sobe após advertência dos EUA

TEERÃ, / AP, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2011 | 03h06

Uma aeronave do Irã gravou um vídeo e fez fotografias de um porta-aviões americano durante os exercícios militares da Marinha iraniana em curso perto do Estreito de Ormuz, passagem do Golfo Pérsico. A informação foi divulgada ontem pela agência oficial de notícias Irna.

A reportagem não trazia detalhes da operação e não se sabe ao certo que tipo de informação as Forças Armadas iranianas poderiam obter a partir das imagens. Mas o anúncio é um indício de que o Irã pretende que sua Marinha desempenhe um papel mais importante nas águas da região.

A Irna citou declarações do comandante da Marinha, almirante Habibollah Sayyari, segundo o qual as operações mostram que o Irã "controla os movimentos das forças estrangeiras" na área em que Teerã está realizando um exercício militar com duração prevista de dez dias.

"Uma embarcação iraniana e uma aeronave espiã rastrearam, filmaram e fotografaram um porta-aviões dos EUA quando este entrava no Golfo de Omã vindo do Golfo Pérsico", disse Sayyari.

O exercício iraniano ocorre em águas internacionais perto do Estreito de Ormuz - passagem pela qual transita um sexto da produção mundial de petróleo.

A 5.ª Frota da Marinha americana, instalada no Bahrein, também atua na área, bem como navios de guerra de vários outros países que patrulham as águas em busca de piratas.

A tenente Rebecca Rebarich, porta-voz da 5.ª Frota americana, disse que o porta-aviões USS John C. Stennis e o cruzador USS Mobile Bay, armado com mísseis teleguiados, saíram do Golfo e passaram pelo Estreito de Ormuz na terça.

Ela descreveu a passagem pelo estreito como "um trecho rotineiro" para o porta-aviões, que oferece apoio aéreo aos soldados no Afeganistão.

O episódio se segue aos alertas feitos pelos EUA diante da ameaça do Irã de impedir o tráfego pelo Estreito de Ormuz, caso Washington imponha sanções às exportações iranianas de petróleo em represália ao programa nuclear da república islâmica. Na quarta-feira, Rebecca disse que a Marinha estava "sempre pronta para responder a ações malignas e garantir a liberdade de navegação".

O general Hossein Salami, comandante em exercício da Guarda Revolucionária do Irã, rebateu. "Os EUA não estão em posição de afetar as decisões do Irã", disse Salami à agência Fars ontem. "O Irã não pede permissão para implementar suas próprias estratégias defensivas."

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