'Presença do Irã é perigo para América Latina'

Dorit Shavit chefe para a região na chancelaria de Israel

Ruth Costas, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

Em São Paulo para reabrir o consulado fechado em 2003, Dorit Shavit, diretora do Departamento de América Latina da chancelaria de Israel manifestou ao Estado a preocupação de seu país com a presença do Irã na região:

Em Teerã, o chanceler Celso Amorim disse que o Brasil pode fornecer ao Irã combustível nuclear se o país desistir de avançar no enriquecimento de urânio. Como vê a proposta?

O Irã não pensa em aceitar essas propostas, só quer continuar a esconder seu programa nuclear. A Rússia e a China fizeram propostas parecidas.

Como Israel pode cobrar transparência do Irã se a sua política é de "ambiguidade" (nem confirma nem nega que tem a bomba), vocês nunca aceitariam inspeções e não firmaram o TNP?

Israel nunca ameaçou ninguém. A ambiguidade é importante para um país como o nosso - pequeno se comparado com o Iraque, o Irã ou a Síria. Eu também não sei de nada. Sei que nunca ameaçamos usar armas nucleares.

A amizade Brasil-Irã prejudica as relações com Israel?

Todo país tem direito de manter relações com quem quiser. O comércio do Brasil com o Irã chegou a US$ 2 bilhões. Talvez Teerã seja um parceiro importante. Mas é preciso tomar cuidado com seus interesses na América Latina. O Irã desenvolve armas nucleares e mísseis de longo alcance, nega o holocausto e já organizou atentados na região. Não é só uma ameaça a Israel, mas para a paz mundial.

Quais seriam seus interesses?

Desde 2005 eles vêm abrindo embaixadas e enviando diplomatas. O principal objetivo parece ser provocar os EUA. Mas as relações com a região também parecem servir para esconder o seu programa nuclear da ONU. Talvez o Irã pense em contornar as sanções com a ajuda de bancos venezuelanos ou em obter urânio por aqui.

A reabertura do consulado e as visitas do chanceler e do presidente israelense estão relacionadas à preocupação com o Irã?

Não. O chanceler Avigdor Lieberman sempre destacou que aprofundar as relações com os países amigos é tão importante quanto negociar com os palestinos. A importância do Brasil está crescendo e queremos firmar acordos de cooperação - já assinamos um com o Mercosul.

Israel estaria pronto para bombardear instalações nucleares do Irã? Em que circunstâncias?

É importante para nós trabalhar com a comunidade internacional, por meios políticos, diplomáticos. Talvez outras opções sejam repensadas no futuro, não agora.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.