Rahmat Gul/AP
Rahmat Gul/AP

Estratégia de Trump para Afeganistão inclui envio de mais 3 mil soldados

Objetivo é convencer o Taleban a voltar à mesa de negociações; plano também prevê mais poderes para o Pentágono

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2017 | 15h28

WASHINGTON - Contrariando uma de suas mais repetidas promessas de campanha, o presidente dos EUA, Donald Trump, planeja enviar mais 3 mil soldados americanos ao Afeganistão. O jornal Washington Post revelou ontem que assessores militares do líder republicano recomendaram o incremento das tropas para forçar o Taleban a voltar à mesa de negociações.

Se Trump autorizar o novo plano, o número de soldados passaria de 8,4 mil para 11,4 mil. O projeto também retira da Casa Branca a responsabilidade pelas decisões de enviar ou retirar tropas e a transfere aos militares do Pentágono.

O plano vai contra uma das frases mais repetidas pelo presidente durante a campanha eleitoral do ano passado – “Os EUA não serão mais a ‘polícia do mundo’” –, quando ele prometia aos militantes que levaria a cabo uma profunda revisão no papel do país em missões militares no exterior.  

O saldo do novo plano militar, caso receba a aprovação final, será uma reversão de medidas adotadas por Barack Obama em relação ao Afeganistão. o antecessor de Trump havia imposto limites à participação dos EUA no país. Ainda segundo o Post, Trump deve tomar a decisão definitiva sobre a situação durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), no dia 25, em Bruxelas. O presidente americano participará do encontro.

“A revisão da estratégia é uma oportunidade para enviar a mensagem de que, sim, os EUA vão mandar mais tropas, mas não será para obter uma vitória apenas pela via militar”, avaliou Andrew Wilder, especialista em Afeganistão do U.S. Institute of Peace. “Será para tentar trazer uma solução negociada para dar fim ao conflito”, acrescentou.

O reforço no Afeganistão será fruto das preocupações frequentes entre os militares americanos sobre o impasse das conversas entre o Taleban e o governo de Cabul. O Pentágono teme que a situação acabe enterrando as possibilidades de sobrevivência do governo, prejudicando as principais bases utilizadas pelos EUA para o combate a grupos como Al-Qaeda e Estado Islâmico na região.

A proposta, no entanto, enfrenta resistência de alguns funcionários da Casa Branca. Os que se opõem ao plano o chamam de “Guerra de McMaster”, uma referência ao general H. R. McMaster, conselheiro de Segurança Nacional de Trump.

O militar, que já comandou esforços de combate à corrupção no Afeganistão e foi um dos arquitetos dos incrementos de tropas no Iraque ordenados pelo governo de George W. Bush, é visto por parte da equipe de Trump como um dos “falcões” que pretendem manter os EUA com uma presença militar robusta na região.

A Casa Branca não respondeu à reportagem do Post para comentar o plano de reforço das tropas no Afeganistão. / WASHINGTON POST

 

 

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