Presidenciável democrata pede saída gradual do Iraque

O senador democrata Barack Obama, que poderá disputar as eleições presidenciais de 2008, defendeu nesta terça-feira uma redução "gradual e substancial" das tropas americanas no Iraque, que começaria dentro de quatro a seis meses. Num discurso no Chicago Council on Global Affairs, um centro de estudos de Chicago, Obama defendeu o estabelecimento de um calendário flexível para a retirada, que evoluiria em função das condições no terreno e com base no conselho dos comandantes americanos. O senador democrata também solicitou mais esforços para o treinamento das Forças de Segurança iraquianas. Para ele, a ajuda americana ao país deve ser condicionada ao progresso na redução da violência sectária e a novas relações diplomáticas com a Síria e o Irã. Obama acredita que ainda é possível que a longa e "errada" Guerra do Iraque tenha um fim "aceitável". "Mas não será fácil, porque não restam boas opções", ressaltou. O líder democrata não estava no Senado em 2002 quando o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, solicitou e recebeu o apoio do Congresso para a invasão do Iraque. Mas na ocasião ele se mostrou contra o conflito. O senador destacou que os resultados das eleições legislativas deste mês, nas quais os republicanos perderam o controle do Congresso, representam uma rejeição da política do atual governo americano. E afirmou que os EUA não podem "ser um país isolacionista no século XXI". "É absolutamente vital uma política externa resoluta e ativa, implacável na perseguição de nossos inimigos e esperançosa com a promoção de nossos valores no mundo todo ", disse. O político, entretanto, aconselhou aumentar a presença militar no Afeganistão, onde vê uma deterioração da situação. Ele rejeitou a idéia de aumentar a presença militar no Iraque, defendida pelo senador republicano John McCain. Sem a cooperação iraquiana, alertou os EUA "simplesmente vão pôr mais soldados no fogo cruzado de uma guerra civil". O democrata também se mostrou contrário ao restabelecimento do serviço militar obrigatório, defendida por um congressista do seu partido, Charles Rangel, de Nova York. As enquetes recentes apontam Obama como um dos candidatos democratas favoritos à Presidência em 2008, junto com a senadora por Nova York Hillary Rodham Clinton.

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