Presidenciável promete eliminar escola elitista na França

O líder centrista e candidato à Presidência da França, François Bayrou, prometeu que se eleito em maio, vai abolir a escola superior mais elitista da França. A França é liderada em grande medida por pessoas formadas pela exclusiva École Nationale d´Administration (ENA), na qual estudaram dois dos últimos três presidentes franceses, incluindo Jacques Chirac, e sete dos últimos nove primeiros-ministros do país. Nos últimos anos, porém, a escola vem enfrentando acusações de estar desligada da realidade do país e de formar uma classe de altos funcionários arrogantes e que atendem a seus próprios interesses. Falando durante uma escala de sua campanha presidencial feita em Guadalupe, ilha caribenha pertencente à França, Bayrou disse que é hora de acabar com a ENA e começar de novo. "Decidi propor uma reforma profunda do Estado que começará com o fechamento da ENA, que será substituída por uma escola de serviço público de alto nível", disse ele no domingo. Seu ataque à ENA representou um desafio à candidata presidencial socialista Ségolène Royal, que estudou na escola, a exemplo de seu aliado François Hollande, presidente do Partido Socialista. Nem Bayrou, que é ex-professor, nem o candidato conservador Nicolas Sarkozy estudaram na ENA, e ambos se retratam como homens que se formaram sozinhos. "Todos os cargos de responsabilidade estão nas mãos de pessoas que seguiram exatamente o mesmo caminho em suas carreiras. Então elas pensam de maneira igual. É um dos pontos fracos da França o fato de seus líderes pensarem da mesma maneira", disse Bayrou mais tarde durante visita à cidade de Reims, no leste da França, na segunda-feira. Fundada pelo general Charles de Gaulle em 1945 para formar funcionários governamentais de alto escalão, a ENA já formou muitos dos principais líderes e executivos-chefes de empresas francesas, incluindo o presidente do Banco da França, Christian Noyer, e o do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet. A ENA forma apenas cem alunos por ano. Seus críticos dizem que esses alunos formam uma rede exclusiva que sufoca a vida pública e monopoliza os altos escalões governamentais.

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