Presidente afegão adota medidas para reforma eleitoral

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, deu um importante passo para a reforma do sistema eleitoral do país. Ele nomeou hoje um respeitado ex-juiz para chefiar e organizar as eleições parlamentares, programadas para 18 de setembro. Ele também voltou atrás na tentativa de afastar representantes internacionais do grupo de observadores que acompanharão o pleito para monitorar possíveis fraudes.

AE-AP, Agência Estado

17 de abril de 2010 | 15h50

A medida veio alguns meses depois de os Estados Unidos e aliados pedirem esclarecimentos sobre as fraudes da eleição presidencial do ano passado. Se não atendesse a estas demandas, o governo afegão estaria sujeito a perda de fundos para a próxima eleição do parlamento e do amplo apoio internacional.

As desavenças sobre como conduzir as eleições presidenciais do ano passado quase destruíram a aliança entre Estados Unidos e Afeganistão, mesmo com o presidente Barack Obama ordenando o envio de milhares de tropas ao país por causa da ameaça Taleban. O receio de diplomatas e autoridades internacionais é de que fraudes voltem a ocorrer durante as eleições parlamentares em setembro.

Karzai também nomeou três afegãos e dois representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) para o grupo que acompanha o processo eleitoral, como observadores. A ONU, que apoiou o grupo que descobriu as fraudes da eleição presidencial de 20 de agosto de 2009, recomenda que os recursos doados por outros países sejam destinados à criação de um fundo para a realização do pleito.

A embaixada dos Estados Unidos aprovou as mudanças, afirmando esperar que as alterações ajudem a promover "uma eleição parlamentar transparente, justa e confiável para a população afegã".

Em fevereiro, Karzai havia publicado um decreto presidencial excluindo estrangeiros do grupo que acompanha o processo eleitoral. Contudo, a medida não foi aprovada pelos parlamentares. O porta-voz presidencial, Waheed Omar, disse que hoje que Karzai concordou em incluir representantes da ONU para acalmar temores da comunidade internacional.

Omar informou que os observadores não poderão tomar decisões sem a participação de pelo menos um representante internacional, dentre estes um sul-africano e um iraquiano indicados pela ONU. O chefe da missão das Nações Unidas, Staffan de Mistura, disse que as mudanças devem tornar as eleições parlamentares mais transparente que o pleito presidencial do ano passado.

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