Presidente afegão busca apoio para manter poder

Karzai estuda derrubar limite de dois mandatos ou trocar presidencialismo pelo parlamentarismo e seguir o modelo russo

BONN, ALEMANHA, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2011 | 03h06

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, não pretende deixar o cargo em 2014, quando termina seu segundo mandato. A agenda do líder em Bonn, na Alemanha, onde está reunido desde segunda-feira com representantes de mais de 100 países para discutir o futuro afegão após a saída das tropas estrangeiras, prevê a articulação por mudanças no sistema político que permitiriam a ele se manter no poder.

A informação é de um relatório da agência de inteligência da Alemanha, a BND, publicado pelo tabloide alemão Bild e pelo jornal britânico Daily Telegraph. Uma das alternativas seria derrubar o limite de dois mandatos de cinco anos para o presidente, previsto na Constituição pós-Taleban. Outra seria a de trocar o regime presidencialista pelo parlamentarismo - nos moldes do que fez Vladimir Putin na Rússia, que após dois mandatos transferiu a presidência para Dmitri Medvedev, que então o nomeou premiê.

Segundo o documento, o presidente afegão vem discutindo com opositores e aliados o seu apoio, e consequentemente o da comunidade internacional, em troca do cargo de premiê. O primeiro nome na lista de políticos com quem Karzai considerava dividir o poder era o do ex-presidente Burhanuddin Rabbani. Ele estava na liderança das negociações de paz com os taleban, mas foi assassinado em setembro por um miliciano do grupo.

Desde a morte de Rabbani, Karzai discutiu a sucessão com o vice-presidente, Mohamed Fahim, ex-comandante militar de Rabbani, o opositor Yussuf Qanuni e o governador de Balkh, Atta Mohammed, província cuja segurança está sob responsabilidade das tropas alemãs, de onde vazou o relatório publicado.

Os três são da etnia tajique, que assegurou controle de parte do norte do Afeganistão durante o regime taleban. Karzai é pashtun, etnia predominante.

"Seria uma reforma total do governo central afegão. E acredita-se que a razão (das mudanças) seria o desejo de Karzai de não deixar o poder, embora ele tenha indicado publicamente que não planeja estender seu mandato", diz o relatório, segundo o qual Karzai planeja convocar uma loya jirga (assembleia de líderes tribais) para conseguir apoio para as reformas.

É improvável que a administração Barack Obama aprove a ideia de manter Karzai no poder - os EUA não escondem críticas e a própria frustração em relação ao governo afegão, alvo de denúncias de corrupção. Por outro lado, não há ainda outro candidato aliado do Ocidente considerado capaz de substituí-lo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.