Presidente afegão critica Paquistão por minar fronteira

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, criticou nesta quarta-feira, 28, duramente a decisão anunciada nesta semana pelo Paquistão de minar e cercar a fronteira comum para conter a infiltração dos talebans afegãos.Em declarações à imprensa, Karzai disse que as autoridades paquistanesas devem destruir seus santuários, os lugares onde treinam, seu equipamento e suas fontes de financiamento no Paquistão para impedir que os insurgentes afegãos cruzem a fronteira."Somos completamente contra esta idéia; politicamente somos contra e em termos humanitários somos contra", disse o presidente afegão, em declarações na mesma linha de representantes da ONU no Afeganistão, que temem que o ato de minar a fronteira cause mais baixas entre civis.O presidente afegão disse que, se o que os paquistaneses querem é "separar as pessoas", esse "é o caminho", mas se o que querem é "prevenir o terrorismo", esse "não é o caminho".Em sua declaração mais dura até o momento, Karzai acusou o Paquistão de querer "escravizar" os afegãos, mas acrescentou que não permitirá que isso ocorra.O Afeganistão e o Paquistão compartilham uma fronteira de cerca de 2.500 quilômetros, e as relações entre os dois países foram afetadas pelas contínuas acusações de Cabul a Islamabad que os talebans encontram refúgio em território paquistanês.Este ano, os talebans intensificaram seus ataques contra o Exército afegão e as tropas internacionais destacadas no Afeganistão, principalmente no sul e no leste do país que faz fronteira com o Paquistão, em um aumento da violência que causou quase 4.000 mortos.

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