Presidente afegão quer buscar reeleição

Aliado dos EUA, Hamid Karzai tem sido criticado por não combater corrupção e não ter influência fora da capital

Associated Press,

19 de agosto de 2008 | 11h50

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou nesta terça-feira, 19, que gostaria de concorrer à reeleição em 2009. Numa entrevista exclusiva concedida à Associated Press, o líder afegão apoiado pelos Estados Unidos disse acreditar que ainda tem trabalho a fazer e, "nesse sentido, sim, gostaria de concorrer".   Karzai já cogitou no passado a possibilidade de buscar a reeleição no ano que vem, mas esta é a primeira vez que ele faz uma declaração tão direta sobre o assunto. O presidente afegão é um aliado de Washington, mas tem levantado a voz nos últimos meses para criticar as forças estrangeiras que atuam em seu país por causa dos sucessivos casos de bombardeios dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) com morte de civis.   Karzai tem sido alvo de críticas por não combater com vigor a corrupção no país e pelo fato de ter pouca ou nenhuma influência fora de Cabul. "Comecei um trabalho para reconstruir o Afeganistão como um país pacífico, próspero e democrático, onde o povo tenha voz e direitos respeitados". "O Afeganistão não está em paz. A população afegã sofre de força maciça com a guerra contra o terrorismo e pela estabilidade do país. O Afeganistão ainda é um país muito pobre".   Karzai afirmou ainda que não há terroristas no país. "Não acredito por um minuto que o Afeganistão tem problemas relacionados ao terrorismo. O país apenas sofre nas mãos do terror ou pelas conseqüências dele". "Não quero mortes de afegãos. A guerra contra o terrorismo não é feita nas vilas afegãs e ponto final. Ela é promovida contra os santuários de terroristas, nos campos de treinamento, nas fontes de financiamento do terror".   O Afeganistão testemunhou o aumento da violência neste ano. Militantes lançaram poderosos ataques com bomba e 2008 está perto de ser o ano mais mortífero para a missão internacional liderada pelos EUA contra o Taleban desde 2001. O próprio Karzai foi alvo de uma tentativa de assassinato em abril, quando militantes atacaram uma cerimônia oficial. Mais de 3.400 pessoas - a maioria militantes - morreram neste ano, segundo contagem da Associated Press.

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