AP Photo/Evan Vucci
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Presidente americano chega à China em desvantagem comercial

Para especialistas, é pouco provável que presidente obtenha concessões significativas na área econômica; China foi seu alvo na campanha

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2017 | 05h00

WASHINGTON - Donald Trump será recebido na próxima semana no Grande Palácio do Povo, em Pequim, com a coreografia usada pelos chineses para impressionar os visitantes, na qual há pouco espaço para o improviso. Soldados desfilarão em sintonia milimétrica ao som de hinos militares e o chá será servido por mulheres que se movem de maneira sincronizada.

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Mas é pouco provável que o presidente americano obtenha de Xi Jinping concessões significativas na área econômica, na avaliação de analistas ouvidos pelo Estado. A China foi um dos principais alvos de Trump na campanha eleitoral. Em seus comícios, o então candidato acusava o país de roubar empregos e de se beneficiar de um superávit comercial astronômico nas trocas bilaterais.

Trump quer que Pequim acabe com as restrições à atuação de empresas americanas no país, abra setores da economia que hoje estão fechados a investidores estrangeiros e coloque fim à pressão por transferência de tecnologia de companhias americanas que operam na China. “Reciprocidade” é a palavra que será repetida pelo americano.

“As prioridades de Trump serão Coreia do Norte e acesso a mercado”, disse Elizabeth Economy, diretora de Estudos Asiáticos do Council on Foreign Relations. Em relação a Pyongyang, ela disse que há várias negociações de bastidores em andamento. No front comercial e de investimentos, Elizabeth disse esperar “pequenas aberturas”, mas nada substancial.

Arthur Kroeber, sócio-fundador da consultoria Gavekal Dragonomics, avaliou que Washington está em uma posição frágil na negociação com Pequim. “Há muita coisa que os EUA querem da China em termos de acesso a mercado, proteção de tecnologia e cooperação diante da Coreia do Norte. Mas há muito pouco que a China precise ou queira dos EUA.” Ambos não acreditam que Xi impulsionará reformas de mercado, que atenderiam algumas das preocupações americanas.

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