AP Photo/Richard Drew
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Presidente americano diz que encontro de filho com russa foi 'reunião rápida' 

Trump foi questionado mais uma vez pela imprensa americana sobre relação de Trump Jr. com advogada russa que lhe prometeu informações contra Hillary Clinton 

Andrei Netto Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 19h36

PARIS - Em meio à viagem internacional, a crise política doméstica sobre as relações do presidente dos EUA, Donald Trump, com a Rússia de Vladimir Putin durante a campanha eleitoral de 2016 aflorou em Paris. Em defesa de seu filho, Trump Jr., o republicano alegou que a reunião com a advogada russa Natalia Veselnitskaya, que ofereceu ajuda do governo contra Hillary Clinton, foi "rápida" e "nada aconteceu". 

O encontro entre Trump Jr. e Natalia aconteceu em junho de 2016, durante a campanha eleitoral que opunha seu pai, então candidato do Partido Republicano, e Hillary, representante do Partido Democrata. Além de seu filho, seu genro, Jared Kushner, e seu então chefe de campanha, Paul Manafort, participaram do encontro.

Em uma troca de e-mails tornada pública pelo filho do presidente – após o jornal The New York Times lhe revelar estar em posse de seu conteúdo –, Trump Jr. aceitou o encontro com a advogada, que lhe propôs a ajuda do governo russo para obter informações comprometedoras sobre a rival de seu pai.

A polêmica obrigou a Casa Branca a passar a semana tentando apagar o novo incêndio, que reforça as suspeitas de conluiu entre Trump e o regime Putin durante a campanha. Nesta quinta-feira, Trump respondeu às acusações em Paris defendendo seu filho e acusando a imprensa de causar escândalo em torno de algo que "muitas pessoas teriam feito". "Meu filho é um jovem fantástico. Ele teve uma reunião com uma advogada russa, não com um advogado do governo, mas com uma advogada russa", argumentou. "Do ponto de vista prático, muitas pessoas teriam tido a reunião sobre uma pesquisa sobre a oposição, ou pesquisa sobre sua oponente." 

" Muitas pessoas me chamaram dizendo: 'Olha, nós temos informações sobre esse fator ou essa pessoa, ou francamente, Hillary'. Isso é muito comum na política. A política não é o negócio mais legal do mundo, mas isso é padrão. Onde há informações, você tenta tirar as informações", justificou, dizendo que "nada aconteceu na reunião'.

Trump tentou ainda desviar o foco das críticas para seu antecessor Barack Obama. O presidente disse ter "ouvido" que a ex-procuradora-geral na gestão do democrata Loretta Lynch teria sido quem aprovou o visto da advogada russa nos Estados Unidos.

Usando sua resposta, Trump migrou a seguir para outro assunto, comentando a eficiência da intervenção americana da guerra da Síria, que segundo ele só poderia ter sido obtida graças ao diálogo diplomático com o governo de Vladimir Putin. 

 

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