Esteban Collazo/Presidência da Argentina/via AFP
Esteban Collazo/Presidência da Argentina/via AFP

Presidente argentino testa positivo para covid dois meses após se vacinar com a Sputnik

Alberto Fernández cumpriu o cronograma de duas doses da vacina Sputnik V, do laboratório russo Gamaleya, em janeiro e fevereiro; ao comentar anúncio do presidente, laboratório garante eficácia de sua vacina

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2021 | 02h11
Atualizado 03 de abril de 2021 | 18h46

BUENOS AIRES - O presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou neste sábado, 3, que foi diagnosticado com a covid-19 após apresentar febre de 37,3°. O contágio ocorre dois meses após o presidente receber a vacina russa contra o coronavírus Sputnik V.

“Depois de apresentar febre de 37,3° e uma leve dor de cabeça, fiz um teste de antígeno que deu positivo”, escreveu em sua conta no Twitter. O teste de antígeno é uma detecção rápida por swab nasal ou da garganta, mas é menos sensível que o teste molecular ou de PCR.

“Estou bem, não tenho nenhum sintoma. Apenas essa febre... É um vírus muito complicado, e a prova é que eu contraí, sendo que já recebi as duas doses da vacina e tomo cuidados extremos”, disse Fernández ao jornal Clarín. Ainda neste sábado, o resultado positivo de um teste PCR confirmou que a doença está em andamento. 

Fernández foi o primeiro líder a receber a imunização contra o coronavírus na América Latina. O presidente argentino cumpriu o cronograma de duas doses da vacina Sputnik V, do laboratório russo Gamaleya. À agência France Presse, fontes presidenciais informaram que ele tomou a primeira no dia 21 de janeiro e a segunda, em 11 de fevereiro.

O presidente, que completou 62 anos na sexta-feira, 2, foi isolado e explicou que não quis ver muitas pessoas em seu aniversário para evitar reuniões com aglomeração. “Embora eu tivesse preferido terminar meu aniversário sem essa notícia, estou de bom humor”, disse Fernández. Ele também agradeceu as mensagens de feliz aniversário.

Segundo dados do governo argentino, estão isolados de maneira preventiva o chanceler do país, o secretário-geral e o porta-voz presidencial porque tiveram contato com Fernández. 

“Estou com boa saturação de oxigênio”, acrescentou o presidente, que tem antecedentes de problemas respiratórios, ao Clarín. “Se não fosse a vacina, talvez agora (a situação) fosse mais complicada”.

A Argentina enfrenta uma segunda onda de coronavírus com uma escalada de infecções. Segundo dados oficiais, o país sul-americano, de 44 milhões de habitantes, soma mais de 2,3 milhões de infecções e 56.023 mortes por covid-19.

Eficácia

O Instituto Gamaleya, responsável pelo desenvolvimento da vacina russa Sputnik V, respondeu ao tuíte feito pelo presidente argentino com a confirmação da doença e reforçou a eficácia da vacina. “Estamos tristes de ouvir isto (o anúncio da infecção). A Sputnik V é 91,6% efetiva contra a infecção e 100% eficaz contra casos raros. Se a infecção de fato é confirmada e ocorre, a vacinação garante rápida recuperação sem sintomas graves. Desejamos a você (Fernández) uma rápida recuperação”, afirmou o Instituto pelo Twitter.

Em entrevista à CNN que foi ao ar na manhã de ontem, o médico Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), afirmou que em 35 países a Sputnik V ainda não teve aprovação de agências sanitárias. Procurado pela reportagem, o instituto não confirmou essa informação, mas reforçou que a Sputnik está aprovada para uso em 59 países e é a segunda no mundo em número de aprovações por órgãos reguladores governamentais. / AFP

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