REUTERS/David Mdzinarishvili
REUTERS/David Mdzinarishvili

Presidente armênio alerta para perigo de negação de genocídio

Na sexta-feira, a Armênia celebrará o dia nacional de lembrança do massacre; Sargsian participará da homenagem aos mortos em uma cerimônia que terá a participação dos presidentes russo, Vladimir Putin, e francês, François Hollande

O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2015 | 16h15

ERIVAN - O presidente da Armênia, Serge Sargsian, alertou nesta quarta-feira, 22, para o perigo que representa para o mundo a negação do genocídio de até 1,5 milhão de armênios pelo Império Otomano durante a 1ª Guerra. Na sexta-feira, a Armênia celebrará o dia nacional de lembrança do massacre.

"O genocídio é um fracasso da comunidade internacional e sua impunidade é a premissa para sua repetição", disse Sargsian em seu discurso de abertura em um fórum internacional sobre o genocídio na capital armênia.

Sargsian participará na sexta-feira da homenagem aos mortos no massacre, em uma cerimônia que terá a participação dos presidentes russo, Vladimir Putin, e francês, François Hollande.


O político armênio se referiu várias vezes à Turquia, mas sem mencionar o país diretamente. "A negação do genocídio contém elementos de uma nova onda de ódio nacional e está acompanhado em muitas ocasiões de intolerância e justificativa dos genocídios cometidos", afirmou.

O presidente armênio citou os genocídios de Ruanda, Camboja e Darfur, e disse que esses crimes devem ser recordados não só pelos descendentes das vítimas, mas por aqueles que protagonizaram os massacres.

Sargsian afirmou que os armênios têm a obrigação moral, mas também o direito de lembrar da morte de 1,5 milhão de pessoas, o sofrimento de outras centenas de milhares nas deportações e o extermínio do legado material e espiritual acumulado durante milênios.

Apesar da tragédia, o presidente disse que "os organizadores do genocídio não atingiram seus objetivos". "Os armênios se apresentam perante a comunidade internacional como um país independente, com um (enclave armênio) Nagorno-Karabakh livre e uma próspera diáspora", discursou.

O presidente lembrou os turcos, curdos e árabes, além dos missionários, diplomatas e comerciantes russos, europeus e americanos que socorreram os armênios perseguidos e salvaram várias vidas.

O aniversário do genocídio está marcado pela polêmica, já que o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, insiste em negar categoricamente que as autoridades otomanas tenham cometido um genocídio contra a minoria armênia.

Erdogan, que expressou no ano passado suas condolências ao povo armênio, um gesto sem precedentes, lembrou que há um século, não só os armênios, mas também outros povos muçulmanos foram massacrados durante a 1ª Guerra.

Até agora reconheceram o genocídio armênio apenas 22 países: como por exemplo França, Alemanha, Itália, Canadá, Grécia, Rússia, Uruguai, Argentina, Venezuela, Chile e Bolívia.

Outros países, entre eles os Estados Unidos, não querem empregar o termo genocídio, embora nas últimas semanas aumentou a pressão sobre o presidente Barack Obama, para quem a Turquia é um país crucial em sua política no Oriente Médio.

Como resultado do genocídio surgiu a diáspora armênia, muito influente em países como EUA, França e Argentina. A atual Armênia alcançou sua independência após a queda da União Soviética, em 1991. / EFE 

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