Presidente boliviano denuncia tentativa de golpe

O presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Lozada, denunciou uma tentativa de golpe no país, ocorrida durante as manifestações de protesto desta semana contra seu governo, que deixaram 27 mortos e mais de 150 feridos. Os distúrbios foram reprimidos por tropas do Exército."Houve trama de golpe contra a democracia nas últimas horas, que, felizmente, foi evitada por forças patrióticas, como a polícia e as Forças Armadas", disse o porta-voz presidencial, Mauricio Antezana.O porta-voz citou indiretamente, como responsáveis, os líderes oposicionistas Manfred Reyes Villa e o líder cocaleiro Evo Morales que, com a Central Operária Boliviana (COB), exigem a renúncia de Sánchez de Lozada. Eles responsabilizam o presidente pela grave crise econômica e social que atinge a Bolívia.O vice-presidente, Carlos Mesa, assegurou que Sánchez de Lozada não vai renunciar. Ele assumiu o governo em 6 de agosto de 2002. O vice-presidente não comentou os rumores de que o governo enfrenta grave crise ministerial e prepara uma reforma.Em Buenos Aires, o presidente argentino, Eduardo Duhalde, atribuiu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a responsabilidade pelos distúrbios no país vizinho. "O que ocorreu na Bolívia? O FMI foi lá e fez com que eles reduzissem os salários em 12%. E qual foi o resultado? O povo saiu às ruas...", comentou o presidente argentino, durante reunião do Partido Justicialista.O chanceler argentino, Carlos Ruckauf, também criticou o FMI, acusando-o de adotar doutrinas erradas. "Se tivéssemos seguido a orientação do Fundo quatro meses atrás, para elevar tarifas públicas e reduzir gastos públicos, estaríamos hoje na mesma situação da Bolívia", comparou.As autoridades policiais bolivianas foram impotentes para evitar depredação de empresas estrangeiras durante as manifestações. O escritório da Varig em La Paz, por exemplo, foi totalmente destruído por dezenas de manifestantes antigovernamentais. "As operações de venda de passagens e o trabalho administrativo foram totalmente suspensos", disse à Agência Estado, por telefone, o embaixador do Brasil em La Paz, Stélio Marcos Amarante. "Acredito que as operações da Varig custarão muito para voltar à normalidade, pela falta de condições físicas de seu escritório na capital boliviana", acrescentou.O embaixador destacou ainda que a agência do Banco do Brasil e as refinarias da Petrobras naquele país (uma em Cochabamba e outra em Santa Cruz de La Sierra) não sofreram ataques por parte dos manifestantes.

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