Presidente brasileiro antecipa regresso

Lula atribui mudança de planos à piora no quadro de saúde do vice José Alencar

Denise Chrispim Marin, O Estadao de S.Paulo

11 de agosto de 2009 | 00h00

Pouco antes de embarcar para Brasília, ontem, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, fez uma discreta advertência a seu colega equatoriano, Rafael Correa, para que não deixe o conflito latente entre o Equador e a Colômbia contaminar os trabalhos da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).Correa assumiu ontem a presidência temporária da Unasul, pelo período de um ano, e tomou posse de seu segundo mandato como presidente do Equador, até 2013 (mais informações na pág. 13).Segundo Lula, a tarefa de conduzir a Unasul aumentará a responsabilidade de Correa de superar as divergências do Equador com a Colômbia ou de, pelo menos, colocá-las em segundo plano.Conforme insistiu Lula, o presidente da Unasul tem de ser "uma espécie de gestor, de harmonizador das relações entre os países" sul-americanos e de "conciliador" frente às divergências. "Todo mundo pode ter divergência com todo mundo. Menos o presidente da Unasul."Lula, entretanto, cancelou na última hora sua participação na cerimônia de posse de Correa, na Assembleia Nacional, para antecipar o retorno ao Brasil. Conforme informou à imprensa, a decisão foi motivada por mais uma internação de seu vice, José Alencar, na noite de domingo. Mas alguns de seus colaboradores deixaram claro que a solução do atrito nas relações Brasil-Equador, no ano passado, não foi suficiente para resgatar a plena confiança de Lula em Correa.MÁGOAÀs vésperas do referendo da nova Constituição equatoriana, em setembro de 2008, Correa determinou a expulsão da construtora Norberto Odebrecht do Equador e suspendeu o pagamento do financiamento feito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que permitira a construção da Hidrelétrica de San Francisco.Correa ordenou ainda a expulsão de executivos da companhia e também ameaçou expulsar a Petrobrás do Equador.A intransigência do próprio presidente equatoriano levou o governo brasileiro a chamar para consultas, em Brasília, o embaixador em Quito, Antonino Marques Porto. No final do ano, a crise foi contornada com a decisão, tomada pelo Equador, de cumprir o cronograma de pagamentos ao BNDES. Mas Correa ainda espera o resultado de uma arbitragem da Câmara de Comércio Internacional, com sede em Paris. Ele contesta as condições do crédito tomado ao banco brasileiro.GARANTIADe acordo com o Itamaraty, por uma questão de garantia e risco, nenhuma obra equatoriana deverá receber novos financiamentos do BNDES enquanto a questão não for resolvida. A Petrobrás tampouco planeja ampliar seus investimentos em poços de petróleo em território equatoriano.

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