Presidente brasileiro ironiza Start e critica pressão a iranianos

Em entrevista ao jornal espanhol ''El País'', presidente compara armas atômicas a ''remédios vencidos''

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2010 | 00h00


 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do Irã e ironizou o acordo assinado entre EUA e Rússia na semana passada, que estabelece um corte de 30% no número de armas nucleares das duas potências militares.            

 

Veja também:

link Em cúpula, Obama reforça pressão ao Irã

link Irã se queixará na ONU contra nova política nuclear dos EUA 

 

 

    

Em entrevista ao jornal espanhol El Pais, publicada ontem, Lula comparou a redução de armas à atitude de jogar no lixo remédios que estão caducado - insinuando que Moscou e Washington apenas estão se desfazendo de armas ultrapassadas.

"Se estamos falando de desativar o que já havia caducado, não tem sentido. Eu tenho também em casa uma caixa de remédios da qual vou jogando fora os que caducam", declarou.

Os presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev aproveitaram o encontro em que assinaram o novo acordo de desarmamento, em Praga, para mandar recados duros ao Irã. Lula insistiu que defenderá uma negociação com o país e prometeu que quer conversar com o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad "até o último minuto". "Não se pode partir do preconceito de que Ahmadinejad é um terrorista que é preciso isolar. Temos que negociar", disse.

Hoje, o presidente chega aos Estados Unidos para debater a questão da segurança nuclear em uma cúpula promovida pelos americanos.

O Irã vem indicando que insistirá com seu programa nuclear e o Brasil, com assento não permanente no Conselho de Segurança da ONU, vem mostrando que será contra a imposição de novas sanções, como querem americanos e europeus.

"O Irã é um grande país, com uma cultura própria, que criou uma civilização. É preciso que os iranianos saibam que podem enriquecer urânio para fins pacíficos e que nós tenhamos a tranquilidade de que é só para isso", declarou o presidente.

PARA ENTENDER

O Start, novo pacto para controle de armas nucleares assinado por Rússia e EUA, reduz apenas o número de alguns tipos de armas - de 2.200 para 1.550 ogivas nucleares ativas em cada país, e de 1.600 para 800 em cada país os veículos para transporte dessas ogivas, como bombas, mísseis e submarinos. O acordo também estabelece mecanismos de verificação, que haviam expirado em dezembro e eram parte do tratado Start anterior. O texto ainda prevê controles em instalações nucleares e intercâmbio de informações. O acordo ficará em vigor por dez anos e poderá ser renovado por no máximo cinco anos. Antes de entrar em vigor, o tratado deve ser ratificado pelos congressos de ambos os países.

 

 

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.