Presidente chinês acusa dalai-lama de incitar violência

Hu Jintao afirma que líder tibetano deve parar de agir para separar o país; Japão diz que o mundo está de olho

Agência Estado e Associated Press,

07 de maio de 2008 | 09h50

A China intensificou a retórica contra o dalai-lama nesta quarta-feira, 7, quando o presidente do país, Hu Jintao, disse durante visita ao Japão que o líder espiritual do Tibete incita a violência. Ao mesmo tempo, a mídia estatal chinesa acusou o dalai-lama de atuar com o objetivo de dividir a China.   Veja também: A questão tibetana    As novas críticas de Hu ao dalai-lama vem à tona pouco depois de o próprio presidente ter prometido manter o empenho nas negociações retomadas no início da semana entre representantes chineses e emissários do autoproclamado governo tibetano no exílio. "O próximo passo é termos mais contato. Nossos contatos com os representantes pessoas do dalai são sérios", disse Hu, sem mencionar a palavra lama, título honorífico do líder espiritual.   "Nós esperamos que o dalai manifeste sinceridade através de seus atos. Esperamos que o dalai pare de agir para separar o país, pare de orquestrar a incitação de atos violentos e pare de minar os Jogos Olímpicos", prosseguiu Hu durante reunião de cúpula com o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda.   O dalai-lama nega as acusações chinesas. Ele afirma estar em busca somente de mais autonomia para o Tibete, mas não de independência. O líder religioso também nega envolvimento com os violentos protestos ocorridos em março na região, durante os quais pelo menos 22 pessoas morreram, segundo dados do governo chinês.   Os comentários de Hu, o primeiro presidente chinês a visitar o Japão em dez anos, coincidem com a publicação de artigos com críticas ao dalai-lama na mídia estatal chinesa. Em editorial, o Diário do Tibete acusou o líder espiritual tibetano de conspirar com forças inimigas como parte de uma iniciativa para dividir a China e impedir seu desenvolvimento.   "Ao tentar internacionalizar a 'questão Tibete', o dalai-lama simplesmente deseja levar a cabo seu maldoso plano de dividir o país, sabotar a estabilidade do Tibete e subverter a China socialista", escreve o jornal.   Fukuda, numa entrevista coletiva concedida ao lado de Hu em Tóquio na manhã de hoje, elogiou a disposição do presidente chinês de conversar com representantes do dalai-lama, mas advertiu que "o mundo está de olho". "Esperamos que o governo e o povo chinês percebam isso e que o público consiga assistir aos jogos com prazer", declarou o chefe de governo japonês.

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