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Presidente chinês interrompe viagem à Itália por protestos

Hu Jintao estava no país para cúpula do G8; violência deixou pelo menos 156 mortos e cerca de mil feridos

07 de julho de 2009 | 19h55

O presidente chinês Hu Jintao está voltando para Beijing após os protestos em Urumqi, capital da região autônoma de Xinjiang, que deixaram pelo menos 156 mortos e cerca de mil feridos no domingo, e perderá a reunião do G8 que acontecerá na Itália a partir de quarta-feira, informou a agência Ansa. Um alto funcionário da embaixada chinesa em Roma disse que Jintao voltará "por causa de assuntos internos e da situação em Xinjiang."

 

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Os chineses da etnia Han saíram nesta terça-feira, 7, pela cidade de Urumqi à caça dos compatriotas da etnia uigur, acusados de serem responsáveis pela violência ocorrida durante a pior revolta na China em 20 anos. Milhares de chineses Han armados com garrotes, cassetetes elétricos, facões e outras armas percorreram as ruas da capital, no oeste da China, à procura dos uigures muçulmanos que teriam assassinado até crianças no último domingo.

 

"O governo não vai fazer justiça, não nos resta solução do que nós nos ocuparmos disso", explicou um raivoso Han, acrescentando que as Forças Armadas chinesas, que tomaram a cidade, não reprimirão os uigures por medo da reação internacional. Urumqi está sob lei marcial desde domingo e com toque de recolher à noite. Entretanto, os soldados fizeram pouco hoje para deter os enfurecidos Han, que marchavam cantando o hino nacional chinês ou corriam armados diante de qualquer rumor de que um uigur tinha sido avistado.

 

Não me atrevo a sair para a rua", declarou à Agência Efe uma uigur de sobrenome Han que mora em Beijing Lu. Ela acrescentou, no entanto, que as ações dos uigures no domingo foram "cruéis e desumanas", a versão que defende o governo chinês. Metade dos 20 milhões de habitantes de Xinjiang é da etnia muçulmana uigur. Desde domingo, a região é barril de pólvora no qual explodem distúrbios o tempo todo. Veículos destroçados foram retirados por guindastes perto do aeroporto de Urumqi após um protesto na segunda-feira à noite, e revoltas ocorrem nesta segunda em toda a capital.

 

A origem dos conflitos étnicos surgiu em Cantão, no sul da China, em junho, quando um grupo de operários uigures foi linchado após ser falsamente acusado de ter estuprado duas jovens. No domingo passado, um grupo de 300 estudantes uigures convocou um protesto em Xinjiang para pedir justiça por esse linchamento. Segundo diversas fontes, os estudantes começaram a marchar pacificamente e reuniram milhares de pessoas, mas ao chegar ao bazar de Döng Körkük (Erdaoqiao, em chinês), outro grupo de uigures violentos começou a atacar pessoas de todas as etnias.

 

As imagens de vídeo gravadas nesse dia mostram dois conflitos diferentes em dois lugares da cidade: de um lado, a manifestação e, de outro, explosões em outra área, uma situação confirmada nesta segunda à Agência Efe por uma jovem de etnia uigur que trabalha em uma rádio oficial. No entanto, a versão mais disseminada entre os Han que buscavam vingança hoje é que os dois grupos de uigures eram violentos, que procediam de cidades como Kashgar e Yili e que assassinaram mais de 150 pessoas e feriram mil em poucas horas.

 

As testemunhas mais informadas sobre o protesto dizem não saber explicar o alto número de mortos. No bairro uigur, a versão é de que o Exército atacou todos: uigures, han e o resto das minorias de Urumqi. Esta é a segunda revolta étnica em um ano na China. Em 2008, Pequim reprimiu outra similar no Tibete, com 22 mortos, segundo dados oficiais.

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