Presidente chinês vai ao Japão e elogia cooperação

O presidente chinês, Hu Jintao, iniciouna terça-feira uma visita oficial ao Japão fazendo elogios àcooperação bilateral, apesar dos recentes atritos por causa derecursos energéticos e segurança. Hu foi recebido por autoridades japonesas e por um grupo dechineses que agitava bandeiras. No centro de Tóquio, 7.000policiais estavam mobilizados contra a ameaça de protestos pelasituação dos direitos humanos na China. "As relações entre os dois países agora têm novasoportunidades para mais desenvolvimento", disse Hu numa notadistribuída à imprensa. "Espero que esta visita aumente aconfiança mútua e fortaleça a amizade." Esta é a segunda visita oficial já feita por um líderchinês ao Japão. Pequim está numa ofensiva diplomática paramelhorar sua imagem depois dos distúrbios de março no Tibet,que ameaçam manchar a Olimpíada de agosto na capital chinesa. Mais de mil manifestantes saíram às ruas do centro deTóquio pedindo "direitos humanos para o Tibet", enquantoativistas de ultra-direita saíram com caminhões que entoavamslogans anti-China e tocavam o hino nacional japonês. Não houveincidentes violentos. A China substituiu no ano passado os EUA como principalparceiro comercial do Japão. O comércio bilateral atingiu em2007 236,6 bilhões de dólares, alta de 12 por cento em relaçãoa 2006. Mas, se o crescimento chinês gera oportunidades, tambémpreocupa o Japão em questões militares e diplomáticas. "Embora o iceberg entre China e Japão tenha derretido,relações totalmente calorosas exigem mais esforços de ambos oslados", disse um articulista do Diário do Povo, de Pequim. PANDA E PINGUE-PONGUE O auge da visita oficial de cinco dias deverá ser umareunião de cúpula na quarta-feira com o primeiro-ministro YasuoFukuda, em que deve ser divulgado um plano para as relaçõesbilaterais nos próximos anos. Os dois países querem evitar que se repita oconstrangimento da visita do líder chinês Jiang Zemin a Tóquio,dez anos atrás, quando ele fez várias alusões negativas àocupação da China pelo Japão (1931-45), inclusive diante doimperador. A imprensa japonesa diz que, no documento conjunto a serdivulgado, ainda estão sendo negociadas referências a Taiwan,aos direitos humanos e à ambição japonesa de ocupar uma vagapermanente no Conselho de Segurança da ONU. Os dois países também disputam uma jazida de gás sob o marda China Oriental, e a venda de massa alimentícia chinesacontaminada com pesticidas no Japão, que afetou váriosconsumidores, se tornou um símbolo da preocupação japonesa coma ascensão da China, segundo analistas. O Japão quer também mais transparência da China a respeitode seus gastos militares, que em 2008 devem atingir 60 bilhõesde dólares (aumento de 17,6 por cento sobre 2007). Críticosdizem que o verdadeiro orçamento militar chinês é muito maiorque isso. Já a China pressiona o Japão a se posicionar contra aindependência de Taiwan, que Pequim considera uma "provínciarebelde." A ilha foi colônia japonesa durante 50 anos, até1945, e mantém relações estreitas com o Japão. Oficialmente,Tóquio se manifesta a favor da unificação chinesa. Na parte mais informal da visita, Hu deve discursar auniversitários, talvez jogue pingue-pongue com Fukuda epossivelmente oferecerá ao Japão um panda para substituir oanimal que morreu em abril num zoológico de Tóquio. (Reportagem adicional de Chris Buckley e Chisa Fujioka)

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