Presidente colombiano diz que reeleição seria ''inconveniente''

Uribe manifesta-se pela 1.ª vez e declara que mudança perpetuaria chefe de Estado e há bons líderes na Colômbia

Reuters, Efe e France Presse, BOGOTÁ, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, declarou ontem que seria "inconveniente" sua reeleição em 2010, porque perpetuaria o chefe de Estado e "o país tem muitos bons líderes".Uribe fez o pronunciamento durante um fórum econômico em Bogotá, apenas dois dias após o Senado aprovar a convocação de um referendo para reformar a Constituição e permitir que ele se apresente a um terceiro mandato.Apesar de ser a primeira vez que Uribe fala sobre a questão da reeleição, ele não afirmou que não buscará um terceiro mandato. Uma fonte ligada à presidência não quis confirmar à agência France Presse que a declaração signifique que Uribe não se candidatará às eleições de 2010 se a Constituição for alterada para permitir um terceiro mandato."Acho inconveniente (a reeleição) por perpetuar o presidente e porque o país tem muitos bons líderes. E, pessoalmente, porque não quero a amargura de que as novas gerações me vejam como alguém apegado ao poder", disse Uribe."Tenho sido um combatente da democracia e quero dissipar qualquer dúvida perante a comunidade internacional. Creio que as instituições democráticas se fortaleceram neste governo", acrescentou.O presidente é considerado por um amplo setor da opinião pública como insubstituível por causa de sua ofensiva militar contra a guerrilha esquerdista e o narcotráfico. Uribe também conta com o apoio de empresários e de Wall Street por suas políticas de livre mercado. Ele sustenta sua alta popularidade em uma política de segurança com a qual obrigou a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a retirar-se para zonas mais afastadas e montanhosas, ao mesmo tempo em que conseguiu reduzir os assassinatos, os massacres, os sequestros e os ataques dos grupos armados ilegais que intervêm em um conflito interno de mais de quatro décadas.TEMORESA possibilidade de uma segunda reeleição imediata de Uribe provocou o temor da oposição de uma redução da democracia e de que o país caia em uma "ditadura" pela concentração de poder e possíveis abusos do presidente.As declarações de Uribe parecem indicar que ele não seguirá os passos de outros líderes da América Latina, como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reeleito recentemente depois de mudanças constitucionais.

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