Presidente comemora queda na taxa de desemprego nos EUA

Obama diz que números mostram recuperação da economia do país; republicanos contestam estatística oficial

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL, DENVER, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2012 | 03h03

Em campanha pela reeleição, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comemorou ontem a queda da taxa de desemprego em setembro. O índice de 7,8% é o mais baixo desde o início de seu governo, em janeiro de 2009.

"Hoje, eu acredito que, como nação, estamos nos movendo para frente. Depois de perder cerca de 800 mil empregos por mês, como quando eu tomei posse, nossas empresas agora adicionaram 5,2 milhões de novos postos nos últimos dois anos e meio", comemorou Obama, em comício na cidade de Fairfax, no Estado de Virgínia.

Os números divulgados ontem indicam a abertura de 114 mil postos de trabalho em setembro. No ano, a média mensal de criação de empregos foi de 146 mil empregos, menor do que a de 153 mil, em 2011, segundo os dados calculados e divulgados pelo Escritório de Estatísticas de Trabalho (BLS, na sigla em inglês). A taxa havia oscilado entre 8,1% e 8,3% de janeiro a agosto deste ano.

"Nesta manhã, fomos informados de que a taxa de desemprego caiu para ao nível mais baixo desde que eu tomei posse. Mais americanos entraram na força de trabalho, mais gente conseguiu emprego", repetiu ele, horas depois e debaixo de chuva, no seu comício em Cleveland, em Ohio, Estado em que a disputa está tão apertada quanto em Virgínia.

Em campanha nos dois Estados, Obama defendeu a concessão de estímulos para o investimento de pequenas empresas e indústrias, a contratação de 100 mil professores de matemática e de ciências, o treinamento de 2 milhões de trabalhadores em faculdades comunitárias e a redução do custo do crédito estudantil. Ao continuar sua receita para criar mais empregos no país, Obama insistiu na redução da importação de petróleo, no aumento de sua exploração no país e no investimento em fontes de energia renovável.

Também em campanha na Virgínia, o candidato republicano, Mitt Romney, voltou a criticar Obama. "Eu tive a chance de perguntar ao presidente por que, quando a América estava precisando desesperadamente de empregos, ele priorizou a aprovação do Obamacare", afirmou ele em Abingdole, ao referir-se à reforma do sistema de saúde impulsionada pelo governo Obama, em 2010. "Obama é a favor de um plano que vai acabar com 700 mil empregos no país", completou o republicano, sem dar detalhes e explicações sobre o projeto do rival.

A taxa de desemprego anunciada ontem causou desconfiança entre os republicanos. Especialmente por ter sido divulgada depois de um debate vencido por Romney, segundo as pesquisas. O ex-presidente da General Electric Jack Welch, aliado do candidato republicano, acusou a Casa Branca de maquiar as estatísticas.

"Números inacreditáveis de emprego. Esses caras de Chicago farão de tudo. Se não podem debater, mudam os números", escreveu ele no Twitter, logo depois da divulgação dos dados, referindo-se ao grupo político de Obama. Sua crítica foi repetida por republicanos, como o deputado Allen West, da Flórida.

A secretária do Trabalho dos EUA, Hilda Solis, considerou a acusação de Welch ridícula e insistiu no seu maior apreço aos profissionais responsáveis pelo cálculo. Em comunicado, ela atribuiu a queda do desemprego às políticas econômicas adotadas por Obama, mesmo sem o apoio da bancada republicana no Congresso. O economista Steve Haugen, do BLS, afirmou ter participado do processo de cálculo do desemprego nas últimas três décadas. "Nunca houve manipulação política", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.