Presidente consegue afastar adversário, mas paga alto preço

Para sair do Comitê do Politburo, vice barganhou entrada de dois protegidos, com quem Hu terá de negociar

Angela Perez, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2007 | 00h00

Opresidente chinês, Hu Jintao, conseguiu afastar um grande adversário político, o vice-presidente Zeng Qinghong, durante o 17º Congresso do Partido Comunista, encerrado na semana passada em Pequim. Mas, segundo analistas, pagou um preço alto por isso.''''Zeng barganhou com sucesso a promoção de dois protegidos - Zhou Yongkang e He Guoqiang - ao Comitê Permanente do Politburo (o órgão de tomada de decisão na China). Eles assumiram dois cargos muito importantes. Então, Hu ainda terá de negociar com essas figuras de destaque de outra facção'''', disse ao Estado Victor Shih, especialista em China da Universidade Northwestern, de Chicago.Esperava-se que Hu emergisse mais fortalecido, sem a sombra do ex-presidente Jiang Zemin. No entanto, ele conseguiu promover apenas um de seus protegidos ao Comitê Permanente do Politburo, de nove membros. E mesmo esse protegido - Li Keqiang, líder do PC na Província de Liaoning - não despontou como favorito para a sucessão de Hu em 2012.A inclusão dos conceitos ''''desenvolvimento científico'''' e ''''sociedade harmoniosa'''' na Constituição do partido foi considerada uma vitória para Hu, que vem defendendo essas teorias como meios de resolver os problemas da China. Mas não uma vitória completa. ''''Será muito difícil incorporar a preocupação com o meio ambiente aos planos de desenvolvimento de Hu, a menos que haja uma mudança na máquina partidária, algo que não deve ocorrer em seu novo mandato'''', disse Joseph Fewsmith, da Universidade de Boston.Durante os oito dias do congresso houve grandes expectativas sobre as decisões que seriam tomadas na quarta maior economia do mundo. Mas não foram debatidas grandes questões que afligem o cidadão comum - como a grande brecha entre ricos e pobres -, nem houve indicações de que a liberalização econômica levará algum dia a uma reforma política.''''Falando diretamente, a liberdade política não é necessariamente uma condição para manter o mercado de um país aberto. Mas a falta de liberdade em geral, e a ausência de democracia e do império da lei em particular, terão conseqüências muito negativas para o desenvolvimento de uma economia de mercado'''', disse Minxin Pei, especialista do instituto Carnegie Endowment.''''Países que tentaram manter sistemas autoritários, com poucas exceções, acabaram pagando um alto preço na forma de corrupção em massa, estagnação do crescimento e grande desigualdade'''', acrescentou. Minxin assinalou que a crescente disparidade de renda e desigualdade social estão pressionando o governo, que vem respondendo com o aumento de gastos em serviços sociais, não com transparência e liberdade.Para o especialista, Hu terá dificuldades para conter o crescimento econômico e controlar a inflação. ''''Primeiro, ele precisará chegar a um acordo com a cúpula e então mobilizar toda a burocracia para aplicar duras medidas. Isso será difícil, embora possível'''', disse Minxin.

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