Presidente da ANP mobiliza segurança para proteger Hamas

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, mobilizou seu aparato de segurança para proteger personalidades do movimento islâmico Hamas e seus bens, a fim de impedir choques armados entre milícias.A ordem de Abbas foi dada em Gaza, após uma reunião com representantes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e da Jihad Islâmica, após os confrontos em que morreram um miliciano islâmico, leal ao primeiro-ministro, Ismail Haniye, e outro do Fatah, leal a Abbas.O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) mandou suas forças tomarem o controle de toda a faixa autônoma de Gaza. A área tem cerca de 1,4 milhão de habitantes, há meses submetidos a uma crescente anarquia devido às disputas entre milícias.Os confrontos de segunda-feira na cidade de Rafah começaram quando combatentes do Hamas, que assistiam ao enterro de um companheiro, abriram fogo contra um quartel das forças de segurança da ANP, controladas pelo Fatah. O ataque deixou 17 feridos.Os milicianos do Hamas atacaram os da Fatah com lança-granadas e foguetes antitanque, como costumavam fazer para enfrentar o Exército israelense antes de sua retirada de Gaza, há nove meses.Em represália aos ataques em Gaza, as Brigadas dos Mártires de Al Akasa, filiadas ao Fatah, invadiram o escritório do primeiro-ministro Haniye, na cidade cisjordaniana de Ramallah. Além disso, os milicianos das Brigadas incendiaram instalações na sede do governo de Haniye e do Hamas no Conselho Legislativo com sede em Ramallah, informaram fontes da segurança. Não houve vítimas.O porta-voz e deputado do Hamas em Gaza, Sami Abu Zuhri, acusou o presidente Abbas de "não fazer o suficiente" para impedir os ataques dos milicianos de seu partido. O ministro de Turismo, Jouda Murkus, apresentou sua renúncia.Estado palestinoO primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, vai propor a Abbas a criação de um Estado palestino independente em Gaza e em 90% da Cisjordânia ocupada com fronteiras provisórias, informa o jornal Ha´aretz. A fórmula, segundo o comentarista político do jornal, Akiba Eldad, implicaria a renúncia de Olmert de seu plano de convergência para fixar de forma unilateral as fronteiras de Israel com os palestinos.A fronteira provisória do futuro Estado palestino, que seria submetida a futuras negociações, acompanharia a vala de segurança que os israelenses estão construindo em terras palestinas da Cisjordânia. Israel se reservaria o controle da segurança no vale do Jordão, no limite com a Jordânia.O governo israelense espera apresentar seu projeto como a implementação da segunda fase do "Mapa do Caminho", plano elaborado em 2003 por Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU - o Quarteto de Madri.O "salto" para a segunda fase do "Mapa do caminho" desobrigaria a Autoridade Nacional Palestina (ANP) de desarmar as facções da resistência. Antes da ascensão do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) ao poder na ANP, o presidente Abbas rejeitou a alternativa de um Estado independente com fronteiras temporárias. Ele exigia retomar as negociações de paz, estagnadas desde janeiro de 2001, para chegar a um acordo definitivo com Israel.

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