David Mercado - 30/12/2019/REUTERS
David Mercado - 30/12/2019/REUTERS

Presidente da Bolívia expulsa embaixadora do México e diplomatas espanhóis

Anúncio é mais um capítulo do incidente diplomático que surgiu após uma suposta tentativa de resgatar um ministro do ex-presidente Evo Morales, que está refugiado na embaixada mexicana em La Paz

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2019 | 12h47
Atualizado 31 de dezembro de 2019 | 01h48

LA PAZ - A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, anunciou nesta segunda-feira, 30, que o país expulsará a embaixadora do México, a chefe de negócios e o cônsul da Espanha. Eles são acusados de tentar resgatar um ex-ministro de Evo Morares refugiado com aliados do ex-presidente na embaixada mexicana em La Paz. O governo espanhol respondeu com uma medida equivalente, enquanto o mexicano preferiu não elevar a tensão.

O anúncio de Jeanine foi feito ontem na sede do governo boliviano. “O governo constitucional que presido decidiu declarar ‘persona non grata’ a embaixadora do México na Bolívia, María Teresa Mercado, a encarregada de Negócios da Espanha na Bolívia, Cristina Borreguero, e o cônsul Álvaro Fernández.”

A presidente acusou os diplomatas de “ferir gravemente a soberania e a dignidade do povo e do governo constitucional da Bolívia” e ordenou que “deixassem o país dentro de 72 horas” – ou seja, até a manhã de quinta-feira.

Pouco tempo depois, o governo espanhol declarou “persona non grata” três diplomatas bolivianos e deu-lhes 72 horas para deixar a Espanha, em retaliação. “A Espanha rejeita enfaticamente qualquer insinuação sobre uma suposta ingerência nos assuntos políticos internos da Bolívia. Qualquer afirmação neste sentido constitui uma calúnia dirigida a prejudicar nossas relações bilaterais com falsas teorias conspiratórias”, disse o comunicado de Madri.

O Ministério das Relações Exteriores do México afirmou que a decisão boliviana tem “caráter político”, enfatizou que não pretende romper relações diplomáticas com La Paz e informou que instruiu a embaixadora a retornar ao país. 

A defesa mais forte da embaixadora partiu do diretor-geral de organismos e mecanismos regionais americanos da Secretaria de Relações Exteriores mexicano, Efraín Guadarrama: “Quando você incomoda um governo que chegou ao poder mediante um golpe de Estado, significa que cumpriu um grande papel. Você passou à história. Felicidades. Nós te receberemos (María Teresa Mercado) como mereces.”

As três autoridades diplomáticas são apontadas pelo Ministério das Relações Exteriores da Bolívia como responsáveis por um incidente registrado na sexta-feira na embaixada mexicana em La Paz, que abriga dez aliados do ex-presidente Evo Morales desde a renúncia, em 10 de novembro.

Segundo o governo boliviano, a chefe de negócios e o cônsul chegaram à embaixada mexicana, juntamente com agentes de segurança “encapuzados e supostamente armados”, com o objetivo de resgatar o ex-ministro Juan Ramón Quintana, braço direito de Evo desde que chegou ao poder, em 2006. O presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Choque, apoiador de Evo, protestou, afirmando que o governo de Áñez “é transitório e não tem poderes para fazer o que está fazendo”. 

A Bolívia já havia enviado uma nota de “forte protesto” à Espanha no sábado. Madri, contudo, negou que o episódio fosse para “facilitar a fuga” dos ex-funcionários de Evo e se tratava apenas de uma “visita de cortesia”. La Paz tem reiterado que há pedidos de prisão ou de investigação contra os aliados de Evo refugiados na embaixada mexicana e, por isso, tem se recusado emitir um salvo conduto para a deixar que eles saiam da Bolívia.

Áñez afirmou que houve um “comportamento hostil” por parte de diplomatas espanhóis, “tentando entrar clandestinamente na Embaixada do México na Bolívia”. As relações da Bolívia com o México vem se deteriorando desde que o governo de Andrés Manuel López Obrador decidiu conceder asilo a Evo e seus parentes – hoje, o ex-presidente vive exilado na Argentina. / AP e REUTERS

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