Joshua Roberts/Reuters
Joshua Roberts/Reuters

Presidente da Câmara acusa Trump de suborno no caso da Ucrânia

Declaração de Pelosi foi dada após as primeiras audiências públicas para um eventual processo de impeachment do republicano

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 22h20

WASHINGTON - A líder democrata e presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, acusou o presidente Donald Trump de "suborno" nesta quinta-feira, 14, um crime que pode levar à destituição, após as primeiras audiências públicas para um eventual processo de impeachment do republicano pelo caso ucraniano.

A presidente da Câmara disse que o "depoimento devastador" dado por duas testemunhas na quarta-feira "corroborou as evidências de suborno de Trump" em suas pressões sobre a Ucrânia para ajudá-lo a prejudicar um adversário na reeleição em 2020.

Pelosi acrescentou que o Caso Watergate, o escândalo que fez o ex-presidente republicano Richard Nixon renunciar em 1974 quando ficou claro que seria submetido a um processo de impeachment, comparado a esta investigação parece "quase pequeno".

"O devastador testemunho corroborou as evidências do suborno descoberto na investigação, e que o presidente abusou de seu poder e violou seu juramento ameaçando reter ajuda militar e (oferecer) uma reunião na Casa Branca em troca de uma investigação sobre seu rival político", disse Pelosi à imprensa.

Os democratas que controlam a Câmara dos Deputados investigam se há mérito em processar Trump por abuso de poder, ao supostamente suspender ajuda militar à Ucrânia para forçá-la a investigar o envolvimento do pré-candidato democrata Joe Biden em um caso de corrupção relacionado a uma empresa de gás ucraniana, na qual seu filho Hunter integrava o conselho executivo.

"O suborno é conceder ou reter assistência militar em troca de ... uma investigação falsa", disse Pelosi.

Até agora, os democratas não usavam a palavra "suborno" para descrever as supostas irregularidades de Trump, apelando para a frase "quid pro quo", uma expressão latina que significa "algo dado ou recebido por outra coisa" e que frequentemente é usado em casos de extorsão.

Pelosi enfatizou que, embora o suborno seja um dos crimes específicos estabelecidos na Constituição como delito passível de julgamento político, os democratas "nem sequer" ainda decidiram acusar o presidente.

Os republicanos intensificaram a defesa do presidente, ao afirmar que as testemunhas de quarta-feira, o embaixador interino americano na Ucrânia, William Taylor, e o alto funcionário do Departamento de Estado George Kent, nunca conversaram com Trump.

Para Entender

Impeachment nos EUA já atingiu três presidentes, mas nenhum foi deposto

Os democratas Bill Clinton, em 1998, e Andrew Johnson, em 1868 foram absolvidos pelo Senado; em 1974, Nixon renunciou antes da votação

"O que eles dizem, que é a base do argumento dos democratas, é baseado em informações de segunda mão", disse o líder republicano na Câmara dos Deputados, Kevin McCarthy. "Não há nada que justifique um impeachment".

Se Trump for finalmente processado, é improvável que ele seja deposto, pois a ação não deve ser aprovada no Senado, que é dominado pelos republicanos.

As audiências públicas serão retomadas na sexta-feira com o comparecimento da ex-embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia Marie Yovanovitch, que afirma que foi destituída do cargo porque o governo Trump acreditava que ela não concordaria com os planos de pressionar a Ucrânia para investigar Biden. / AFP 

 

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