Carlos Ortega/EFE
Carlos Ortega/EFE

Presidente da Colômbia anuncia operação militar para liberar estradas bloqueadas em protestos

Iván Duque afirma que prática é ilegal e prejudica economia do país; perdas econômicas são estimadas em mais de R$ 9,3 bilhões, de acordo com o governo

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2021 | 15h59

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Iván Duque, ordenou nesta segunda-feira, 18, que as forças de segurança do país liberem estradas bloqueadas por manifestantes que protestam contra o governo há 20 dias. A dimensão e duração dos protestos vem afetando a economia do país. As perdas econômicas são estimadas em mais de 6,5 trilhões de pesos colombianos (R$ 9,3 bilhões), de acordo com estimativas governamentais.  

"Instruímos todos os níveis das forças de segurança nos territórios da Colômbia, com prefeitos e governadores, para que utilizem sua máxima capacidade operacional de modo que, dentro da proporcionalidade e estrita observância dos direitos humanos e sua proteção, permitam a todos os colombianos recuperar a mobilidade, recuperar o bem-estar", declarou Duque em um comunicado. Os protestos na Colômbia começaram em 28 de abril, em resposta a um projeto de reforma tributária do governo, já retirado.

Duque reafirmou o direito ao protesto pacífico, mas chamou os bloqueios nas estradas e rodovias de ilegais, argumentando que eles têm afetado milhões de pessoas, incluindo camponeses que não conseguem obter matéria-prima. "Temos visto também o impacto na circulação de alimentos, o que fez com que cidades inteiras ficassem sem abastecimento. Esses tipos de práticas são ilegais e também estão censurados no código penal de nosso país", escreveu o presidente, que há duas semanas já havia destacado o Exército para ajudar a derrubar os bloqueios.

Duque anunciou também a criação de um programa de geração de empregos para jovens, que subsidiará 25% do salário dos beneficiários, a partir de 1º de julho.

Após a derrubada da reforma tributária, manifestantes seguem nas ruas pedindo o fim da brutalidade poilcial, a retirada de um projeto de reforma sanitária que prevê privatização de serviços, vacinação em massa contra a covid-19 e implementação de uma renda básica universal.

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O governo tem se esforçado para dialogar com manifestantes e a oposição, sem muito sucesso. A tentativa mais recente é a Mesa Redonda Nacional de Avaliação de Garantias para Manifestações Públicas, mecanismo que prevê, entre outros, o diálogo e a mediação entre as autoridades policiais e a população em protestos.

Além disso, uma delegação do governo - chefiada pelo Alto Comissário para a Paz na Colômbia, Miguel Ceballos - reuniu-se pelo segundo dia consecutivo com o Comitê Nacional de Greve, que engloba sindicatos e organizações de trabalhadores, com o objetivo de estabelecer uma mesa de negociações para resolver a crise social que a Colômbia está atravessando. /EFE

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