Mauricio Dueñas Castañeda/EFE
Mauricio Dueñas Castañeda/EFE

Presidente da Colômbia qualifica Odebrecht de 'maçã podre'

Juan Manuel Santos, cuja campanha é suspeita de ter recebido propina da construtora brasileira, disse que seu governo construiu 'muro' contra esquema de corrupção

O Estado de S.Paulo

08 de março de 2017 | 04h58

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou na terça-feira 7 que o governo não vai permitir que uma "maçã podre" prejudique as obras de infraestrutura no país, em uma referência aos casos de corrupção da construtora brasileira Odebrecht. Ele assegurou ainda que seu governo "construiu um muro" contra a empreiteira acusada de pagar propina na América Latina e na África.

"Não vamos permitir que essa maçã podre possa prejudicar esta grande revolução da infraestrutura que estamos realizando na Colômbia", afirmou Santos, ao inaugurar a ampliação de um aeroporto no departamento (Estado) de Chocó, região marcada pela pobreza no oeste do país.

Ao tratar do tema, o presidente estava visivelmente irritado, um dia após a Procuradoria colombiana dizer que tinha novas evidências segundo as quais a construtora pagou US$ 1 milhão por uma pesquisa de opinião realizada durante sua campanha eleitoral de 2014.

Santos também lamentou que a empresa tenha trabalhado de maneira ilegal com vários governantes da região para obter licitações. Ele não pronunciou, porém, o nome da Odebrecht em nenhum momento do discurso. 

"A empresa, o que fez, pelo que vimos, é tratar de penetrar governos para suborná-los e ganhar licitações de forma fraudulenta. A Colômbia foi penetrada, mas esse governo fez um muro para esta empresa", declarou o presidente. Segundo ele, a Odebrecht não ganhou nenhum dos 22 projetos pelos quais concorreu durante seu mandato.

Na segunda-feira 6, o procurador-geral colombiano, Néstor Humberto Martínez, disse que a Odebrecht fechou um contrato com uma companhia registrada no Panamá vinculada à agência local de publicidade contratada por Santos durante a campanha de 2014. O objetivo seria ganhar uma arbitragem de US$ 100 milhões de uma disputa pelo projeto de uma rodovia. 

Há um mês, Martínez também disse que tinha indícios de que a campanha de Santos teria recebido US$ 1 milhão da Odebrecht. As acusações podem prejudicar o governo do mandatário colombiano, já que em 14 meses haverá eleições para seu sucessor e ele precisa de uma coalizão no Congresso para implementar o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A Odebrecht também é acusada de bancar gastos do conservador Óscar Iván Zuluaga, rival de Santos na disputa presidencial de 2014. 

Em dezembro, o Departamento de Justiça dos EUA informou que a Odebrecht admitiu ter pago propinas a políticos e funcionários públicos de mais de uma dezena de países. Na Colômbia, o valor dos subornos chega a US$ 11,1 milhões, recebidos entre 2009 e 2014. / ASSOCIATED PRESS e EFE

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