Mauricio Dueñas Castañeda/EFE
Mauricio Dueñas Castañeda/EFE

Presidente da Colômbia oferece R$ 14 mil por informações sobre quem cometer vandalismo em protestos

Estudantes, sindicatos, indígenas e outros setores convocaram para esta quarta-feira uma nova jornada de manifestações que completam uma semana de pressão contra o presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2021 | 16h02

BOGOTÁ - Ao anunciar o que chamou de estratégia para combater o vandalismo nos protestos contra seu governo, o presidente da Colômbia, Iván Duque, ofereceu uma recompensa - 10 milhões de pesos (cerca de R$ 14 mil) - para quem fornecer informações que levem à prisão dos responsáveis pelos "atos de violência" nas manifestações. 

Em um comunicado, Duque abordou a mobilização, que acontece em diferentes cidades do país, mas principalmente em Cali e na capital, Bogotá. Nele, o líder conservador anunciou a estratégia, que consiste também em habilitar uma linha telefônica nacional para atender às denúncias de atos de vandalismo e a criação de um grupo especial de investigação. Segundo Duque, o objetivo é enfrentar o "vandalismo extremo e o terrorismo urbano" financiado e articulado pelas máfias do narcotráfico. 

“Todos os colombianos rejeitam de forma inequívoca atos de violência, ataques à infraestrutura, bloqueios de estradas que impedem o fornecimento de alimentos e que eles cheguem às casas da família colombiana e afetam o acesso aos serviços, além de colocarem em risco o acesso aos serviços públicos. Há também os ataques aos CAIs, nos quais nossos policiais foram vítimas de atos de covardia e intimidação", diz o comunicado. "Também somos prejudicados por ataques a pedágios, supermercados, entidades comerciais, transporte de massa ou simplesmente contra qualquer bem público ou privado." 

O governo culpa dissidentes da antiga guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), integrantes do Exército de Libertação Nacional (ELN) e grupos criminosos narcotraficantes por levar a violência aos protestos. 

Segundo o presidente, como resultado do trabalho desse grupo especial de investigação, já foram realizadas 553 prisões, das quais 538 em flagrante e 15 por ordem judicial. Duque afirma no comunicado que também foram abertas mais de 200 notícias-crime e 48 apreensões durante os últimos protestos, sem especificiar o que exatamente foi apreendido. 

Estudantes, sindicatos, indígenas e outros setores convocaram para esta quarta-feira, 5, uma nova jornada de protestos que completam uma semana de pressão contra o presidente e cuja repressão já deixou ao menos 19 mortos. 

Os manifestantes se preparam para marchar em Bogotá, Medellín (noroeste), Cali (sudoeste) e outras capitais de Estado do país sob várias demandas: melhores condições de saúde, educação, segurança nas regiões, fim dos massacres, entre outros.

As mobilizações foram em sua maioria pacíficas, mas em algumas cidades tornaram-se violentas. De acordo com dados oficiais divulgados na segunda-feira, pelo menos 19 pessoas morreram, mais de 800 ficaram feridas e 89 estão desaparecidas. ONGs asseguram, porém, que o número de mortos ultrapassa 30. 

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O que começou como uma manifestação pacífica em 28 de abril em rejeição a uma reforma tributária já retirada se transformou nos protestos mais graves contra o governo desde que ele assumiu o poder em 2018.

O partido político criado pelos integrantes das Farc que assinaram um acordo de paz com o governo colombiano, na época chefiado pelo presidente Juan Manuel Santos, em 2016 vem condenando a repressão policial aos protestos e pede a renúncia de Duque. /COM AFP 

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