Jaime Saldarriaga/Reuters
Jaime Saldarriaga/Reuters

Presidente da Colômbia ordena retomada de bombardeios contra alvos das Farc

Juan Manuel Santos tomou decisão após ataque dos guerrilheiros deixar ao menos 11 soldados mortos no Departamento de Cauca

O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2015 | 15h52


CALI, COLÔMBIA - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, suspendeu nesta quarta-feira, 15, a ordem de não bombardear alvos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - pouco mais de um mês após a medida ser colocada prática - em razão de um ataque dos guerrilheiro, nesta madrugada, na cidade de Buenos Aires, no Departamento (Estado) de Cauca, que matou ao menos 11 soldados colombianos e deixar outros 19 feridos.

De acordo com informações do Exército, os soldados e um oficial foram atacados com artefatos explosivos, granadas e armas de fogo pela Coluna Móvel Miller Perdomo das Farc. Santos e o ministro de Defesa, Juan Carlos Pinzón, foram para a cidade de Cali, no Departamento vizinho ao local do confronto, onde fizeram uma reunião com o alto comando militar.


Para o presidente, o ataque é resultado de "um ataque deliberado, não feito por acaso e implica um claro rompimento da promessa de cessar-fogo unilateral" que as Farc haviam posto em prática em 20 de dezembro. "Ordenei que as Forças Armadas cancelem a ordem que suspendia bombardeios aos acampamentos da Farc até nova ordem", disse o presidente.

Os representantes das Farc em Havana, onde membros do grupo guerrilheiro e representantes do governo negociam uma solução para o confronto, afirmaram que o ataque aconteceu em razão da "incoerência" do governo, que "está ordenando operações militares contra uma guerrilha em trégua".

O líder dos guerrilheiros Félix Antonio Muñoz Lascarro, conhecido como Pastor Alape, pediu ao presidente colombiano que um "cessar-fogo bilateral, que é urgente para a nação" seja iniciado. 

Para o coordenador da ONU na Colômbia, Fabrizio Hochschild, a morte dos militares é um "triste passo atrás" na redução da intensidade do conflito armado que dura mais de meio século. "Os mortos desta manhã representam um triste passo atrás na redução do sofrimento e no aumento da confiança no Processo de paz", afirmou Hochschild. 

O representante das Nações Unidas no país também lamentou que o incidente tenha prejudicado a "dinâmica positiva" na redução do conflito armado que estava em curso desde o início do cessar-fogo das Farc. "Houve um alívio na situação humanitária do país e uma redução de 50% no número de deslocados nos primeiros meses deste ano, além de uma diminuição nos combates e, consequentemente, no número de mortos em confrontos", disse Hochschild.

Apesar da decidir responder ao ataque de hoje, Santos insistiu que as negociações em Havana devem ser aceleradas. "Feitos desta natureza e desta gravidade mostram mais uma vez a necessidade de acelerar as negociações. Está é exatamente a guerra que queremos e que temos que encerrar", afirmou o presidente. / EFE e AP

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