AP Photo/Virginia Mayo
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Presidente da Comissão Europeia critica líderes que defenderam saída britânica da UE

Jean-Claude Juncker destacou ainda que decisão de Nigel Farage e Boris Johnson de renunciar não foi uma atitude ‘patriótica’

O Estado de S.Paulo

05 Julho 2016 | 09h37

ESTRASBURGO, FRANÇA - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, criticou nesta terça-feira, 5, os líderes políticos que apoiaram o Brexit - a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) -, como o eurofóbico Nigel Farage e o ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, e disse que a atitude de ambos de renunciar não foi "patriótica".

"Os heróis do 'Brexit' de ontem são agora os tristes heróis de hoje. Aqueles que contribuíram com a situação no Reino Unido renunciaram", criticou Juncker durante um debate sobre o assunto no plenário da Eurocâmara, em referência a "Johnson, Farage e outros".

"Os patriotas não renunciam quando as coisas se tornam difíceis, mas permanecem", destacou Juncker. Ele ainda acrescentou que compreende que o campo dos defensores da permanência na UE durante a campanha necessitasse de algumas semanas para refletir, mas disse não entender que os do Brexit necessitem de "meses para refletir antes de saber o que fazer".

Ele também afirmou que acreditava que haveria um plano, mas acrescentou que "em lugar de desenvolver um plano, eles estão abandonando o barco".

Farage, eurodeputado e líder do Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), anunciou na segunda-feira sua renúncia, enquanto Johnson decidiu na semana passada não se apresentar como candidato a líder do Partido Conservador e a primeiro-ministro depois que seu companheiro de campanha e ministro da Justiça, Michael Gove, optou aspirar à liderança.

Futuro. Durante o mesmo debate, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que o bloco deseja conservar o Reino Unido como um "sócio próximo", mas reiterou que os britânicos terão que aceitar as regras de liberdade de circulação na UE caso desejem ter acesso ao mercado único.

"Esperamos ter o Reino Unido como um sócio próximo no futuro. Mas os líderes (da UE) deixaram claro que o acesso ao mercado único significa as quatro liberdades, incluindo a de circulação", disse. "Não liquidaremos nossas liberdades e não existirá mercado único 'a la carte'."

Ao mesmo tempo, o ministro austríaco das Finanças, Hans Jörg Schelling, afirmou que União Europeia terá 28 membros dentro de 5 anos e que é muito provável que os britânicos não deixem a UE. "Dentro de cinco anos, continuaremos sendo 28 membros" na UE, afirmou Schelling ao jornal alemão Handelsblatt.

"Debatemos agora todas as opções: que os britânicos permaneçam na UE e não apresentem a demanda de saída ou um acordo de livre comércio com base no modelo suíço ou norueguês", disse.

Também pode acontecer um "Brexit parcial, no qual apenas a Inglaterra sai da UE, mas Escócia e Irlanda continuam sendo membros", disse o ministro austríaco. /EFE e AFP

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