Patrick Seeger / EFE
Patrick Seeger / EFE

Presidente da Comissão Europeia propõe aumentar Guarda de Fronteira para 10 mil oficiais

Jean-Claude Juncker também adverte que o Reino Unido não poderá permanecer em apenas uma parte do mercado único europeu, ante a expectativa de Londres de continuar com um livre comércio de bens industriais

O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 07h05

ESTRASBURGO, FRANÇA - O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, propôs nesta quarta-feira, 12, que a Guarda de Fronteira do continente aumente para 10 mil oficiais até 2020, com a aceleração do retorno dos imigrantes em situação irregular a seus países de origem.

"Temos de proteger nossas fronteiras externas de modo mais eficaz. Por isso, propomos que o número de funcionários da Guarda de Fronteiras e Costas aumente a 10 mil até 2020", disse Juncker em seu último discurso sobre o Estado da União Europeia (UE) na Eurocâmara, em Estrasburgo, nordeste da França.

Esta é uma das últimas propostas de Juncker à frente da Comissão, a um ano do fim da legislatura, em um momento de avanço das forças populistas para as eleições europeias de maio, com base em um discurso contra os imigrantes.

A Guarda de Fronteiras e Costas, criada em 2016 e também conhecida por seu nome anterior, Frontex, deve mobilizar este ano 1,3 mil oficiais e contar com uma "reserva" de 1,5 mil agentes de fronteiras nacionais.

A Comissão deseja que até 2027 um terço dos guardas de fronteira sejam efetivos próprios da Agência, que Bruxelas deseja dotar de novas competências. "Acelerar o retorno dos imigrantes em situação irregular e abrir vias de acesso legais à UE" são, nas palavras de Juncker, as outras prioridades da Comissão.

Mercado único e Brexit

Juncker advertiu que o Reino Unido não poderá permanecer em apenas uma parte do mercado único europeu, ante a expectativa de Londres de continuar com um livre comércio de bens industriais.

Relembre: Reino Unido e UE iniciam negociação do Brexit

"O governo britânico deve entender que se alguém abandona a União, não poderá ter a mesma posição privilegiada de um Estado membro", afirmou ele. "Se um país abandona a União, deixa evidentemente de fazer parte de nosso mercado único e, certamente, não é possível conservar algumas partes", declarou Juncker, uma mensagem reiterada pela Comissão Europeia ao governo britânico desde o início das negociações do Brexit.

Os europeus defendem a integridade do mercado único europeu, com base nas chamadas "quatro liberdades fundamentais": livre circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais. A rejeição à imigração europeia no Reino Unido foi um dos catalisadores do Brexit.

O tempo é cada vez menor para alcançar um acordo antes da saída do Reino Unido do bloco, prevista para o dia 29 de março. As negociações permanecem bloqueadas sobre como evitar uma fronteira clássica entre a província britânica da Irlanda do Norte e a Irlanda, país da UE, e a futura relação comercial. / AFP

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