Presidente da Coréia do Sul se desculpa por pagamento ao Norte

O presidente sul-coreano, Kim Dae Jung, viu-se obrigado hoje, poucos dias antes de terminar seu mandato de cinco anos, em plena crise nuclear norte-coreana, a pedir desculpas pela televisão por um escândalo sobre supostos "fundos ilegais", entregues a Pyongyang antes da histórica cúpula com Kim Jong Il, em junho de 2000. Mas esta sexta-feira pode ter marcado o último triunfo político de Kim, já que foi o dia em que cerca de 500 turistas sul-coreanos viajaram para a Coréia do Norte passando pela primeira fronteira terrestre aberta entre as duas Coréias desde a guerra de 1950 a 1953. O escândalo é uma situação difícil para o idoso presidente, de 78 anos, que ganhou o Nobel da Paz de 2000 justamente pela realização da cúpula, e que em 25 de fevereiro entregará o poder a seu sucessor e aliado político Roh Moo Hyun. "Assumo toda a responsabilidade", disse Kim, ao rebater as acusações da oposição conservadora de que teria "comprado" o Nobel com a cúpula, mas acrescentou que não houve nada ?sujo?. ?Foi uma operação no interesse nacional e pela paz na península", disse.Para os conservadores, no entanto, "foi uma vergonhosa traição", pela qual Kim deverá responder "diante de um promotor especial, independente ". Em crise devido à inesperada derrota de seu candidato, Lee Hoi Chang, nas eleições presidenciais de 19 de dezembro, a oposição direitista vê no incidente sua oportunidade para liquidar Kim e colocar dificuldades no caminho do novo governo, exatamente sobre o tema da política do país em relação à Coréia do Norte. Na opinião dos analistas, seja qual for a maneira pela qual o escândalo terminar, parece certo que o novo presidente terá de modificar a modalidade dos contatos com Norte, buscando para isto maior transparência e o apoio da opinião pública.

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