Presidente da Corte Suprema desafia Kirchner

Uma nova crise institucional na Argentina pode estarem seu início a partir da guerra declarada que o presidente Néstor Kirchner abriu ontem à noite contra a Corte Suprema de Justiça. O presidente da Corte, Julio Nazareno, desafiou o presidente Néstor Kirchner a realizar um plebiscito para decidir a situação de seus juízes. Esta foi a primeira reação do Judiciário depois da mensagem ontem à noite, em cadeia de rádio e televisão, em que o presidente Néstor Kirchner pediu ao Congresso medidas para instaurar o impeachment de alguns juízes comprometidos com o "menemismo" (entre osquais, o próprio Nazareno). Kirchner já havia ameaçado com a realização de um plebiscito para responder às "pressões" e "extorsões" por parte dos juízes contra o Poder Executivo. O juiz Nazareno afirmou não saber "do que fala Kirchner sobre extorsão". "Nunca falei com ele", afirmou o juiz, acrescentando que se reunirá com seus colegas nesta manhã para decidir o que a Corte fará diante da ameaça dopresidente. O juiz Julio Nazaren o insistiu em negar que haja pressões contra o Executivo, mas indicou que poderiam ser "as sentenças" que a Corte tem em suas mãos, as quais podem complicar a administração de Kirchner. Nazareno afirmou que o discurso do presidente não o obriga a nada. A Comissão de Impeachment da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Ricardo Falú, se reunirá hoje de manhã para estudar os processos contra os juízes, principalmente contra Julio Nazareno. O chefe de Gabinete, Alberto Fernández, afirmou hoje que "há juízes da Corte que não têm cumprido a missão que o Poder Judiciário exige" e que a intenção do governo é de dar à Argentina "instituições que funcionem", com "uma justiça transparente".

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