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Presidente da Costa Rica critica regime e prega mudanças em Cuba

No jantar de abertura da 10ª Conferência das Américas, organizada pelo jornal The MiamiHerald, o presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sánchez, criticou duramente o governo de Cuba, que chamou de único regime não democrático na América Latina. "Cuba é uma ditadura que não só tem privado o povo cubano de sua liberdade, mas condenou à pobreza uma nação que poderia ter se tornado o primeiro país desenvolvido da América Latina", afirmou Arias Sánchez, prêmio Nobel da Paz em 1987. Arias também alertou para o surgimento do populismo e o início de uma nova corrida armamentista na região. Ele pediu apoio às naçõesque invistam mais em educação, saúde e habitação, "e menos em armas e soldados". O evento, que se encerra na sexta-feira (15), conta com a participação de empresários e líderes políticos da América Latina e EstadosUnidos. Em seu discurso, Arias afirmou que Cuba é o "único país irmão cujo governo se nega a aceitar a democracia". "Já passou há muito tempo a hora de parar de tapar o sol com a peneira e reconhecer o que não queremos admitir: Cuba não é uma democracia ´diferente´, nem seguiu um caminho próprio, escolhido pelo povo cubano." O dirigente acredita que a América Latina se encontra numa encruzilhada: ou fortalece seus sistemas democráticos e se ergue, unida, para mudar o regime em Cuba, ou sucumbe aos seus "velhos demônios autoritários, os cantos de sereia do caudilhismo e do populismo". O presidente costarriquenho pediu o fim do embargo dos EUA para ajudar a levar a democracia a Cuba. E disse esperar que a convalescença do presidente cubano, Fidel Castro, abra o debate sobre a transição democrática. Corrida armamentistaArias disse que em 2004 os países latino-americanos gastaram US$ 22 bilhões em armas e tropas. O número, segundo ele, aumentou 8% na última década e "tem crescido alarmantemente"nos últimos 12 meses. Para Arias, a América Latina "iniciou uma nova corrida armamentista", apesar de a democracia predominar na região, ondehouve poucos conflitos militares no último século. Para mudar a situação, ele propôs privilegiar o investimento social. A proposta, chamada por Arias de "Consenso da Costa Rica", levaria à criação de mecanismos para perdoar as dívidas de paísesem vias de desenvolvimento que orientem suas ações nessa área, que ainda receberiam mais recursos financeiros internacionais. "É hora de a comunidade internacional premiar não só quem gasta com ordem, como tem feito até agora, mas também quem gasta com ética", enfatizou o governante. Arias está convencido de que investir em educação é o caminho para consolidar a democracia e evitar que a região retorne à culturapolítica "autoritária e vertical que marcou com fogo" sua história. Nesse contexto, advertiu para as tentações autoritárias e o discurso demagógico que despreza a democracia, e para o ideário extremista que, "apenas dissimulado", sobrevive em algumas organizações políticas. A Conferência das Américas é considerada um dos principais fóruns de negócios e política na América Latina e no Caribe. O temaprincipal do evento este ano é "Competitividade da América Latina na Economia Global".

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