Presidente da Geórgia assina cessar-fogo com a Rússia

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, assinou hoje o acordo de cessar-fogo com a Rússia, que protege interesses da ex-república soviética, apesar de fazer concessões a Moscou. Ao lado do presidente georgiano, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, disse a Saakashvili que recebeu garantias de que o presidente russo Dimitri Medvedev assinará um documento igual. Mesmo assim, ela fez fortes críticas à Rússia.Rice criticou o presidente russo por não honrar suas promessas de parar as operações militares na Geórgia. "A garantia verbal que o presidente (Dimitri) Medvedev deu, de que os militares russos haviam parado, claramente não foi honrada", afirmou. Veículos militares russos se concentraram hoje na entrada da cidade de Gori, na Geórgia central. Mais tarde, um comboio de dez veículos militares da Rússia saiu de Gori e parou em uma posição a apenas 40 quilômetros de Tbilisi, capital da Geórgia.Emocionado, Saakashvili disse que "nunca, jamais" a Geórgia admitirá a perda de um quilômetro quadrado de seu território. Saakashvili falou algumas horas após o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ter acusado a Rússia de ameaçar e intimidar a Geórgia. "Ameaças e intimidações não são caminhos aceitáveis para conduzir a política externa no século XXI", havia dito Bush em um comunicado formal, na Casa Branca.O conflito irrompeu na semana passada, quando a Geórgia lançou o ataque contra a capital da província separatista da Ossétia do Sul, Tskhinvali. A Ossétia do Sul, na prática, já é independente da Geórgia desde meados da década de 1995. A maioria dos ossétios tem cidadania russa. Moscou respondeu ao enviar tanques para dentro da Ossétia do Sul e bombardeou as bases militares georgianas, atingindo algumas cidades fora das províncias separatistas.Saakashvili não parecia entusiasta com o cessar-fogo, mas Rice defendeu o documento como uma maneira de voltar todas as forças às posições antes da guerra. Ela disse que o cessar-fogo obriga a Rússia a retirar imediatamente todas as suas tropas da Geórgia. "A Geórgia foi atacada. As forças russas precisam deixar a Geórgia de uma vez", afirmou Rice.AlemanhaEnquanto as tensões crescem entre Moscou e Washington, Medvedev também entrou em desacordo com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, durante uma reunião dos dois líderes no balneário russo de Sochi, no Mar Negro. Enquanto Medvedev reafirmava o apoio russo às províncias separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul, Merkel desaprovou a Rússia pelo uso "desproporcional" da força e disse que a integridade territorial da Geórgia precisa ser um "ponto básico" em qualquer plano para restaurar a paz no Cáucaso."Se alguém continuar a atacar nossos cidadãos, nossas tropas de paz, então é claro que responderemos como fizemos", disse o presidente russo. "A Rússia, como garantidora da segurança no Cáucaso e na região, tomará uma decisão que sem ambigüidade apoiará a vontade desses dois povos do Cáucaso", alertou Medvedev. Segundo ele, as duas províncias separatistas não podem mais viver no mesmo país que os georgianos. As informações são da Dow Jones.

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