Moises Castillo / AP
Moises Castillo / AP

Presidente da Guatemala é proibido de deixar país

Indiciado em caso de corrupção, presidente também perdeu imunidade

O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2015 | 18h12

CIDADE DA GUATEMALA - Um juiz da Guatemala emitiu nesta quarta-feira, 2, uma ordem que impede o presidente Otto Pérez Molina de sair do país. Pérez Molina está sendo acusado de liderar uma rede de corrupção e perdeu a imunidade do cargo na noite de terça-feira. Ele será julgado pela Justiça comum e pode ser condenado à prisão. 

A procuradora, que solicitou a medida, informou a decisão em sua conta oficial no Twitter horas depois de o Congresso retirar os privilégios do presidente, envolvido, segundo investigações oficiais, com uma rede de corrupção.

A procuradora-geral e chefe do Mistério Público, Thelma Aldana, declarou a jornalistas que “existia o risco” de o presidente deixar o país e, por isso, teve de tomar a decisão de pedir essa ordem. “É uma medida preventiva necessária”, declarou Thelma minutos antes de a procuradoria confirmar que o juiz tinha autorizado a ordem. O objetivo seria assegurar a presença do presidente durante o processo penal que enfrenta.

Questionada se a decisão do presidente de agarrar-se ao cargo interfere no processo, Thelma afirmou acreditar que não e este momento ele tem as mesmas condições de um “cidadão comum”, embora esteja no exercício da presidência. A procuradora declarou ainda que, “em curto prazo”, também analisa pedir a prisão preventiva do presidente, o que não havia ocorrido.

Os procuradores estudavam o caso e, embora não descartem imputar mais delitos a Pérez Molina, até ontem os crimes citados pelo indiciamento eram “formação de quadrilha, suborno passivo e caso especial de defraudação aduaneira”. 

Por sua vez, a defesa do presidente afirmou ontem que ele se colocara à disposição da Justiça para tentar evitar o “espetáculo” de sua detenção. Seu advogado, César Calderón, explicou a uma emissora guatemalteca que apresentaria à Justiça um memorando para comunicar ao juiz Miguel Ángel Gávez que Pérez Molina está “à disposição”. Calderón reiterou, porém, que não está descartada a possibilidade de prisão, sobre a qual “querem fazer um espetáculo”. 

Na noite de terça-feira, centenas de pessoas festejaram, do lado de fora do Congresso, o fim da imunidade do presidente. O porta-voz da presidência, Jorge Ortega, afirmou que Pérez Molina respeitava a decisão e enfrentaria a Justiça.

O presidente é acusado pelo Ministério Público e pela Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig) de ser um dos líderes da rede de fraude alfandegária La Línea, desarticulada em abril. 

Ele nega participação nessa rede pela qual sua ex-vice-presidente, Roxana Baldetti, já está em prisão preventiva desde a semana passada. Além dela, outras 26 pessoas foram presas. 

O líder político afirmou, por diversas vezes, que não deixará o poder e desafiou seus rivais a provarem as denúncias. Para ele, tudo não passa de uma manobra eleitoral dos adversários políticos, já que no domingo haverá eleições gerais. 

No fim de semana, 7,5 milhões de cidadãos estarão aptos a eleger seus representantes para os anos de 2016 a 2020. Serão escolhidos o presidente, 158 deputados, 20 membros do Parlamento e 338 representantes municipais. / AP, AFP, EFE e ANSA 

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