AP Photo / Moises Castillo
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Presidente da Guatemala renuncia e é preso

Juiz responsável pelo caso no qual Pérez Molina é acusado de corrupção determinou a prisão provisória do ex-presidente para 'garantir sua segurança' e assegurar que ele se apresente para audiência nesta sexta

O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2015 | 20h56

CIDADE DA GUATEMALA - Denunciado em um caso de corrupção que levou o país ao caos dias antes de uma eleição nacional, o presidente da Guatemala, Otto Pérez Molina, renunciou nesta quinta-feira, 3, e foi preso. Ele perdeu a imunidade e os privilégios na terça-feira e o juiz responsável pelo caso, Miguel Ángel Gálvez, determinou sua prisão provisória até a manhã desta sexta-feira, 4, quando ele será ouvido em uma nova audiência. 

 

O Congresso guatemalteco aceitou a renúncia de Pérez Molina e o atual vice-presidente, Alejandro Maldonado Aguirre, tomou posse como novo presidente para um período de pouco mais de quatro meses. O país tem eleições presidenciais no domingo. O advogado de 79 anos foi confirmado no cargo pelo Congresso, como estabelece a Constituição.

Após apresentar a renúncia, Pérez Molina compareceu à sede do Tribunal de Justiça para responder às denúncias de corrupção. Ele se apresentou ao juiz, que está à frente do processo aberto sobre a milionária rede de corrupção no governo conhecida como La Línea. 

Gálvez afirmou que determinou a prisão provisória do ex-presidente para "garantir sua segurança" e assegurar que ele se apresente para a audiência desta sexta. Pérez Molina foi levado em um carro sob a escolta de dezenas de veículos de polícia e seguido por carros da imprensa. 

O Ministério Público (MP) do país e a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), um organismo criado pela ONU, em 2006,, acusam o ex-presidente de liderar o esquema, um caso pelo qual já está em prisão preventiva a ex-vice-presidente Roxana Baldetti, que renunciou em maio. 

Milhares de manifestantes vinham tomando as ruas da capital e de outras cidades do país nas últimas semanas pedindo a saída de Pérez, um general aposentado de 64 anos, depois que foi acusado de envolvimento em extorsões. O objetivo da renúncia, segundo Pérez Molina, era “manter a institucionalidade e a ordem dentro do Estado”, além de enfrentar “de maneira individual” o devido processo.

Apuração. De acordo com a investigação de mais de 18 meses de ambas entidades, Pérez Molina supostamente dirigia uma rede clandestina dentro da Superintendência de Administração Tributária (SAT), com a cumplicidade de pelo menos 28 pessoas, entre elas a ex-vice-presidente. 

O presidente guatemalteco sempre negou qualquer ação irregular. Ele não é constitucionalmente elegível para concorrer nas eleições de domingo, mas tentou até o último momento manter a presidência. 

Pérez Molina, que tomou posse em 14 de janeiro de 2012, havia reiterado que não renunciaria para garantir a realização das eleições gerais no fim de semana. Hoje, ele pediu ao juiz para que não se deixasse manipular nem pressionar “nem pela imprensa nem por instâncias estrangeiras alheias ao país”. 

Antes de ter a prisão decretada, ele afirmou que não "fugiria” e enfrentaria o processo judicial na Guatemala. O ex-presidente disse ainda ter tomado a decisão de renunciar depois que o Congresso retirou sua imunidade. 

Comemoração. Vários grupos de guatemaltecos comemoraram ontem a renúncia de Pérez Molina. Eles já tinham ido às ruas na terça-feira, após o Congresso suspender a imunidade do ex-presidente.

Os manifestantes se reuniram para festejar o que consideram “um fato histórico” nos arredores da Torre de Tribunais, na capital, onde o general se apresentou à Justiça.

“Acabou este governo militar corrupto!” e “Mais batalhas virão, mas vamos ganhá-las!” foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes ontem, que agitavam bandeiras do país. / NYT, AP, REUTERS e EFE

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