Rebecca Blackwell/AP/Arquivo
Rebecca Blackwell/AP/Arquivo

Presidente da Guiné sobrevive a tentativa de assassinato na capital

Um morreu e vários ficaram feridos durante ataque à casa de Alpha Conde; relação de líder com Exército é tensa

AE, Agência Estado

19 de julho de 2011 | 11h11

CONACRI - GUINÉ - O presidente da Guiné, Alpha Conde, sobreviveu a uma tentativa de assassinato na madrugada desta terça-feira, 19, quando homens armados invadiram sua casa. O ataque levanta dúvidas sobre a estabilidade política do país africano, que tem histórico de golpes de Estado e governos militares.

 

Posteriormente, Conde se dirigiu à nação pela rádio estatal dizendo que a guarda presidencial "lutou heroicamente às 3h10 (horário local, 0h10 no horário de Brasília)", quando sua casa foi atacada por um grupo não identificado.

 

Pelo menos um integrante da segurança do presidente foi morto e vários ficaram feridos. Além disso, partes da casa do presidente ficaram destruídas, disse o ministro François Fall.

 

'Seguro e protegido'

 

Conde, que foi eleito apenas sete meses atrás numa votação considerada a primeira eleição livre e justa da Guiné, pediu à população que fique calma e evite atos de represália. "Se suas mãos estão nas mãos de Deus, nada pode acontecer com você", disse ele. "Nossos inimigos podem tentar tudo, mas não interromperão a marcha do povo guineano".

 

Fall disse que o presidente está seguro e protegido num local não divulgado. Ele afirmou que uma investigação foi iniciada, mas que ainda é muito cedo para dizer quem estaria por trás do ataque.

 

Moradores do bairro de Kaporo Rail disseram que os disparos começaram quando estavam dormindo, por volta das 2h, e continuaram até o alvorecer. Os confrontos mais pesados ocorreram perto do complexo murado onde Conde vive, a mesma casa de três andares que foi sua base quando ele liderava a oposição do país.

 

A Guiné realizou suas primeiras eleições livres e justas em novembro do ano passado, meio século depois de conquistar a independência da França. Conde venceu o pleito, mas confrontos étnicos se espalharam pelo país. Partidários de Conde, integrantes principalmente da etnia Malinke, entram em choque com aliados do candidato derrotado, em sua maioria da etnia Peul.

 

Há grande frustração no país porque Conde não criou um governo inclusivo, empregando apenas membros de sua etnia. Outra questão é o fato de a pobreza não ter melhorado. Seu relacionamento com o Exército, que esteve por trás de todos os golpes no país, dentre eles o de 2008, tem sido tenso.

 

As informações são da Associated Press

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