Reuters
Reuters

Presidente da Indonésia nega clemência a australianos no corredor da morte

O presidente da Indonésia, Joko Widodo, indicou que dois australianos condenados por delitos de drogas não vão receber um indulto da pena de morte, o que provavelmente afetará os laços já frágeis entre os dois países vizinhos.

JANE WARDELL, REUTERS

27 de janeiro de 2015 | 21h26

O brasileiro Marco Archer, de 53 anos, também teve pedidos de clemência rejeitados pelo governo da Indonésia e foi executado em 17 de janeiro após ser condenado por tentar entrar no país em 2003 com cocaína escondida em tubos de uma asa delta.

O primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, pediu pessoalmente clemência para os dois australianos que foram presos no aeroporto de Denpasar Bali, em 2005, ao tentar contrabandear 8 quilos de heroína para a Austrália.

Mas Widodo, que assumiu o cargo em outubro, se comprometeu a continuar a abordagem linha-dura da Indonésia para os traficantes de drogas, que viram as execuções serem retomadas em 2013 depois de um hiato de cinco anos.

"Imagine que a cada dia temos 50 pessoas morrendo por causa de entorpecentes, em um ano são 18.000 pessoas por causa de narcóticos", disse Widodo à CNN. "Nós não vamos nos expor ao perigo dos traficantes de drogas."

Abbott destacou a oposição da Austrália à pena de morte ao falar da situação envolvendo Myuran Sukumaran, de 33 anos, e Andrew Chan, de 31 anos.

Widodo disse que a decisão estava nas mãos dos tribunais.

"Eles podem pedir anistia ao presidente, mas digo a vocês que não haverá anistia para os traficantes de drogas", declarou ele.

O presidente da Indonésia foi questionado: "Então, nenhum alívio para os australianos?" Ele respondeu balançando a cabeça.

Não ficou imediatamente claro quando as execuções poderão ocorrer.

A retomada da pena de morte na Indonésia gerou críticas de ativistas de direitos humanos, tanto no país como no exterior. A chanceler australiana, Julia Bishop, disse na semana passada que não descarta convocar o embaixador da Austrália na Indonésia caso as execuções sejam realizadas.

Brasil e Holanda chamaram de volta os seus embaixadores, enquanto a Nigéria convocou o embaixador indonésio em Abuja para protestar contra a execução de seus cidadãos no início deste mês.

As relações entre a Indonésia e a Austrália atingiram o nível mais baixo no fim de 2013 após relatos de que a Austrália tinha espionado funcionários indonésios de alto escalão, incluindo o então presidente Susilo Bambang Yudhoyono e sua mulher.

A Indonésia congelou a cooperação militar e de inteligência com a Austrália antes de restaurar as relações em maio do ano passado.

Tudo o que sabemos sobre:
INDONESIATRAFICANTEMORTES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.