EFE/Paolo Aguilar
EFE/Paolo Aguilar

Presidente da Nicarágua revoga reforma previdenciária que originou onda de protestos

Para Daniel Ortega, decisão permitirá abrir o diálogo com os setores que foram às ruas protestar contra a medida, criada para restabelecer o equilíbrio financeiro do INSS

O Estado de S.Paulo

22 Abril 2018 | 19h30

MANÁGUA - O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou neste domingo, 22, a revogação da reforma previdenciária que deu origem à violenta onda de protestos que deixou ao menos 24 mortos. Os episódios levaram seis países sul-americanos, entre eles o Brasil, a pedir a deposição dos confrontos.

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Em um encontro com empresários de zonas francas em Manágua, Ortega disse que o Instituto Nicaraguense de Seguro Social (INSS) tomou a decisão, "revogando a resolução anterior de 16 de abril, que foi a que serviu como detonador para que se iniciasse toda esta situação" de protestos.

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Naquela data, o organismo de seguridade social reformou o sistema de pensões para aumentar as contribuições dos trabalhadores e dos patrões a fim de dar estabilidade financeira à Previdência. A reforma desencadeou uma onda de protestos que mergulharam a Nicarágua no caos, com confrontos violentos entre manifestantes e policiais, saques de comércios e destruição de edifícios públicos.

Segundo o presidente, a revogação do decreto permitirá abrir o diálogo com os setores que foram às ruas protestar contra a medida, criada para restabelecer o equilíbrio financeiro do INSS. Ortega criticou duramente os manifestantes e os comparou a membros de gangues como os que atuam no norte da América Central.

"Isto nos obriga a colocar em nossa agenda o combate às gangues. Combatê-las para que não continuem atuando da forma atual, que não continuem se matando e que não assaltem estabelecimentos", disse o presidente durante a reunião.

Ele ainda acrescentou que "temos de restabelecer a ordem. Não podemos permitir que aqui se imponha o caos, o crime, o saque".

Ortega antecipou que o governo buscaria outras formas de dar estabilidade financeira ao sistema de pensões e anunciou que convidaria o arcebispo de Manágua, cardeal Leopoldo Brenes, a participar de uma mesa de diálogo que analisará o tema.

Pressão

Em Santiago, seis países sul-americanos pediram a deposição dos confrontos e a cessação dos atos de força nos protestos na Nicarágua. Segundo um comunicado da Chancelaria chilena, os governos de Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Paraguai e Peru expressaram preocupação e lamentaram os atos de violência registrados no país.

Os seis países "fazem um apelo urgente a todos os setores a depor o confronto e cessar os atos de força", e fizeram um chamado especial às equipes de segurança para que exerçam "suas faculdades com a maior prudência para evitar o uso excessivo da força e uma escalada da crise".

Durante as manifestações ocorreram saques e confrontos violentos que deixaram uma lista de vítimas, incluindo estudantes que iniciaram os protestos, policiais e jovens simpatizantes da governista Frente Sandinista, acusados de atacar os manifestantes. / AFP

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