Presidente da Síria anuncia anistia geral para crimes políticos

Proposta é recebida com cautela por ativistas; governo deve anunciar também início de diálogo nacional.

BBC Brasil, BBC

31 de maio de 2011 | 17h48

O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, determinou nesta terça-feira uma anistia geral para todos as pessoas que cometeram crimes políticos, informou a imprensa estatal.

A Anistia, vista com cautela pelos grupos opositores, foi anunciada num momento em que o governo sírio está sob pressão após meses de protestos populares pró-democracia, que estariam sendo reprimidos com vigor pelas forças de segurança.

Segundo a agência estatal síria Sanam, Assad ofereceu perdão aos crimes políticos cometidos antes de 31 de maio.

A anistia abrangeria todos os grupos de oposição do país, incluindo a banida Irmandade Muçulmana, também de acordo com a mídia estatal.

A Irmandade esteve por trás de um levante, em 1982, na cidade de Hama (oeste do país) que foi reprimido pelo governo e que terminou com a morte de 10 mil pessoas. O grupo apoiou - ainda que não tenha iniciado - a atual onda de protestos antigoverno.

Acredita-se que, nos últimos dois meses, mais de mil pessoas já tenham morrido em confrontos entre manifestantes e que tropas do governo e outras 10 mil tenham sido detidas.

As cifras são de testemunhas e membros da oposição e não puderam ser confirmadas de forma independente pela BBC.

Diálogo nacional

O correspondente da BBC no Líbano Jim Muir disse que a anistia foi antecipada e que espera-se, nos próximos dias, que o governo lance a proposta de um diálogo nacional - ainda que não se saiba com quem o governo pretende conversar.

Mas Muir afirma que o sucesso das medidas do governo depende, em grande parte, da intenção de Assad de libertar os presos políticos do país, e que é improvável que as medidas promovam a paz na Síria se o governo prosseguir com a repressão aos protestos.

Em março passado, pouco antes de uma escalada nas manifestações antigoverno, Assad havia instituído uma anistia aos condenados por crimes menores e aos prisioneiros com mais de 70 anos. No mês seguinte, o presidente extinguiu leis de emergência que vigoravam havia décadas, mas, segundo testemunhas, as forças de segurança reprimiram com mais violência as manifestações no país.

O governo atribui os distúrbios a grupos armados, islâmicos e estrangeiros.

Em sua reação inicial à proposta de anistia, ativistas sírios se queixaram de que a medida representa "muito pouco, muito tarde".

"É insuficiente", disse à agência AFP Abdel Razak Eid, do movimento Declaração de Damasco. "Estamos unidos sob o slogan: as pessoas querem a queda do regime e que todos os que cometeram crimes paguem por isso."

O "perdão" de Assad ocorre ao mesmo tempo em que, segundo relatos, as Forças Armadas da Síria avançam com tanques em duas cidades no centro do país, Talbisa e Rastan, onde os protestos continuavam nesta terça-feira.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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