Presidente da Síria diz que aceita negociar com Israel

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse em entrevista à BBC, transmitida nesta segunda-feira, que seu país está disposto a conversar com Israel, desde que haja mediação de um ?árbitro imparcial?. Assad disse que os Estados Unidos não mostram sinal de estarem preparados para desempenhar esse papel e criticou os americanos por não terem ?a vontade nem a visão? para buscar a paz no Oriente Médio.Na entrevista, o presidente disse reconhecer que Síria e Israel podem conviver lado a lado em paz, aceitando a existência um do outro. Mas criticou o governo de George W. Bush e afirmou que não é possível estabelecer um diálogo com os Estados Unidos.?Como você pode falar de paz e ao mesmo tempo de isolamento? Como você pode falar de paz, enquanto você adota uma doutrina de guerra preventiva??, perguntou Assad.Segundo Assad, a única forma de garantir a paz é por meio da implementação das resoluções das Nações Unidas por todas as partes - Síria, Israel, Estados Unidos, Nações Unidas e União Européia.?Bode expiatório? O presidente sírio disse que o Ocidente se adianta ao culpar a Síria pelos problemas no Oriente Médio. Ele disse que a realidade e a percepção que se tem de seu país são duas coisas diferentes, mas que ao mundo exterior é confortável apontar os dedos para a Síria.Após as invasões lideradas pelos americanos ao Afeganistão e ao Iraque, Assad disse que o Ocidente acusou a Síria de apoiar o terrorismo, tornando o país ?um bode expiatório? que ?exime (os países ocidentais) de qualquer responsabilidade?.Washington também tem acusado a Síria de apoiar os grupos palestino Hamas e libanês Hezbollah - organizações consideradas terroristas pelos americanos. No entanto, Assad disse que o apoio público a esses grupos precisa ser levado em consideração.?Enquanto eles (do Hezbollah) são eficientes com as pessoas, você precisa lidar com isso. Quando têm o apoio de pessoas, você não pode rotulá-los de terroristas, porque dessa forma você rotula o povo como terrorista.?Hariri Assad negou que a Síria tenha do assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri - ocorrido em um atentado em Beirute em fevereiro do ano passado -, e disse que qualquer sírio que tenha ligações com o crime será considerado um ?traidor? e terá de enfrentar um processo.Sobre o Iraque, ele insistiu que a Síria não apoiou qualquer ataque de rebeldes, mas acrescentou que ?como conceito? a resistência é um direito do povo.A Síria tem sido considerada pela Casa Branca como integrante do ?eixo do mal?, termo cunhado para condenar os regimes da Coréia do Norte e do Irã. O país também tem sido acusado de permitir que rebeldes atravessem sua fronteira com o Iraque. Assad negou as acusações.

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