Presidente da Síria diz que não deixa poder

O presidente da Síria, Bashar Assad, disse nesta terça-feira que não deixará o poder, insistindo que ele tem o apoio popular, apesar dos 10 meses de protestos contra seu governo. Em seu quarto discurso desde o início da revolta no país, em março, Assad também criticou a Liga Árabe e acusou a organização sediada no Cairo de não conseguir proteger os interesses árabes.

AE, Agência Estado

10 de janeiro de 2012 | 08h29

O líder disse que um referendo será realizado em março sobre uma nova Constituição para o país, que substituirá a atual, onde o governista Partido Baath tem papel predominante. Segundo ele, após o referendo, que pode ocorrer no início de março, deve haver uma eleição geral. "Eleições precisam estar vinculadas a uma nova Constituição", afirmou o presidente. "Isso pode ocorrer no início de maio."

Assad também disse que não deu ordens para que as forças de segurança abrissem fogo contra civis, durante os 10 meses de protestos. "Pela lei, ninguém pode abrir fogo, exceto em legítima defesa."

A Liga Árabe suspendeu a Síria e enviou uma equipe de monitores ao país para avaliar se o regime cumpre um plano da organização com que Assad concordou, em 19 de dezembro. As medidas são humilhantes para a Síria, que se considera uma potência do nacionalismo árabe. "A Liga Árabe fracassou por seis décadas em proteger os interesses árabes", afirmou Assad, durante discurso na Universidade de Damasco. "Não deveríamos nos surpreender por ela ter fracassado hoje."

Assad repetiu a acusação de que há uma conspiração contra ele, mas disse que ela está fracassando. "Nós vamos declarar vitória logo", afirmou Assad. "Quando eu deixar esse posto, será também por causa do desejo do povo", acrescentou.

O presidente também criticou a imprensa, que segundo ele tenta empurrar seu governo para um colapso. "Eles fracassaram, mas não desistiram", afirmou ele no discurso, veiculado ao vivo na televisão estatal.

Nos últimos meses, a violência na Síria torna-se cada vez pior, com desertores do Exército combatendo o regime e alguns manifestantes pegando em armas para se proteger. As Nações Unidas estimaram há várias semanas que mais de 5 mil pessoas haviam sido mortas na Síria desde março na repressão aos protestos. Desde esse balanço, ativistas afirmam que outras centenas de pessoas morreram. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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