Hussein Malla/AP
Hussein Malla/AP

Presidente da Síria diz que país enfrenta 'conspiração'

Assad não menciona um possível fim ao estado de emergência durante discurso

estadão.com.br

30 de março de 2011 | 09h32

DAMASCO -  Em seu primeiro discurso sobre a onda de protestos que atinge o país, o presidente da Síria, Bashar al-Assad,disse que as manifestações são parte de uma conspiração mundial contra Damasco. Após prometer mais abertura política no começo da semana, esperava-se que Assad anunciasse o fim do estado de exceção no país, em vigor há mais de 40 anos.

 

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"Nosso dever é proteger nosso país e nosso povo. As últimas revoltas não passam de uma conspiração contra a Síria, um teste à unidade do país", disse. "Os conspiradores escolheram o país errado. Iremos superar esta crise"

 

O discurso, que ocorreu perante o Parlamento sírio, não citou em nenhum momento o fim do Estado de Emergência, em vigor no país desde 1963. Assad assumiu que fez promessas e que não pôde cumpri-las. "Tentamos atender as demandas do povo, mas não podemos apoiar o caos", falou o presidente sírio, em meio a palmas e mensagens de apoio dos parlamentares.

Havia a expectativa de que Assad anunciasse reformas em resposta aos protestos pelo país. No domingo, um assessor presidencial adiantou que a Síria suspenderá o estado de emergência.

 

"Sei que o povo sírio esteve aguardando este discurso desde a semana passada, mas eu estava esperando para ter um panorama geral da situação... para evitar um discurso emocional que iria deixar as pessoas à vontade, mas que não teria efeito real algum, num momento em que nossos inimigos estão alvejando a Síria ", disse ele.

 

"As relações entre o povo e seu governo não deveriam ser construídas sob pressões", disse o presidente.

"Falamos sobre a revogação da lei de emergência e a criação de partidos políticos em 2005, quando não havia pressões. Esse foi o começo do processo de reformas", acrescentou.

Al-Assad, no poder desde 2000, disse que as reformas políticas começaram há dez anos e se prolongarão por outros dez, mas não podem estar ligadas a "condições específicas", como a atual onda de revoltas na região.

"É certo que estamos atrasados, mas isto se deve a outras prioridades. Nossa prioridade é a estabilidade da Síria, é um fato, mas não uma justificativa", insistiu.

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