Presidente da Síria rejeita comparação com Egito e Líbia

O presidente da Síria, Bashar Assad, disse em entrevista transmitida neste domingo que não tem medo de acabar como os líderes depostos da Líbia e do Egito, argumentando que não tem nada em comum com eles. Em uma de suas raras entrevistas à mídia ocidental desde o início dos protestos sangrentos no país, no ano passado, Assad disse que o que está acontecendo no Egito é diferente do que ocorre na Síria. "É uma situação completamente diferente", disse à rede de TV alemã ARD.

EQUIPE AE, Agência Estado

08 de julho de 2012 | 20h00

Assad também rejeitou quaisquer comparações com a Líbia, onde rebeldes auxiliados por tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) derrubaram o regime de Muamar Kadafi e mataram o ex-líder. "Descrever o que aconteceu com Kadafi, isso é selvagem, isso é crime", disse.

Mais de 14 mil pessoas já morreram na Síria desde o início dos protestos contra o regime de Assad, há cerca de um ano e meio, segundo ativistas.

Na entrevista, Assad acusa os Estados Unidos de incentivar os protestos, e diz que Washington também é responsável pelas mortes de civis inocentes na nação do Oriente Médio. Os Estados Unidos estão se juntando a esses "terroristas... Com armas, dinheiro ou apoio público e político nas Nações Unidas", disse Assad.

O presidente também rejeitou acusações de que suas forças de segurança são responsáveis pela violência no país, alegando que o número de "apoiadores do governo e vítimas nas forças de segurança e no exército" superam o número de vítimas civis. Segundo ele, uma oposição formada por "terroristas, gangues, uma mistura da Al-Qaeda e outros extremistas" é responsável pela violência.

Questionado diretamente sobre a morte de mais de 100 civis no vilarejo de Houla em maio, Assad culpou gangues "que vieram às centenas de fora da cidade". O massacre causou comoção internacional, e investigadores da ONU concluíram que tropas do governo podem estar por trás das mortes.

Segundo o presidente, "a maioria das pessoas pede reformas, reformas políticas, mas não liberdade". Ele afirmou que ainda tem o apoio da população síria, e descartou uma renúncia. "O presidente não pode fugir de um desafio, e temos um desafio nacional na Síria agora." As informações são da Associated Press.

Mais conteúdo sobre:
SíriaBashar AssadEgitoLíbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.